O que fazer depois do colegial: faculdade, curso técnico, ou tirar um tempo pra você?

Nem todo mundo pode se dar ao luxo de ter um tempo “livre” depois de se formar no colégio, mas existem outras coisas que você pode fazer antes de entrar na faculdade. Tirar um ano para “relaxar” e “se conhecer” parece algo luxuoso, principalmente para os brasileiros.

Na cabeça do brasileiro, passar no vestibular, frequentar uma universidade e receber um diploma de graduação são os primeiros passos para construir uma carreira de sucesso.

A realidade, entretanto, apresenta um quadro bem diferente. Há um volume considerável de desempregados com nível superior, ainda mais em tempos de crise econômica. Também não faltam pessoas que fizeram faculdade, mas se sujeitam a subempregos que nada têm a ver com a sua formação original.

Enquanto sobram bacharéis no mercado, os recrutadores custam para achar profissionais de nível técnico.

O que fazer depois do colegial: faculdade, curso técnico, ou tirar um tempo pra você?

Uma matéria realizada pelo G1 destacou que, segundo estudo da FGV em parceria com o Conselho das Américas (COA) e a Fundação JP Morgan Chase, cerca de 40% das empresas sofrem para contratar técnicos no estado de São Paulo, porque faltam candidatos com os requisitos necessários para preencher essas vagas.

Em outras palavras, mesmo num cenário de forte desemprego, sobram postos de trabalho para técnicos bem preparados e munidos de competências socioemocionais, apontadas pelo estudo como as mais escassas no mercado.

Para Nilson Pereira, presidente-executivo da Manpower Brasil, a chave para se dar bem no mercado de trabalho é abrir o leque de opções e considerar formações menos tradicionais: “O brasileiro é muito fixado na ideia de ter um diploma de graduação, e acaba se formando em áreas como administração ou direito, que não são tão solicitadas pelo mercado atualmente”, disse ele em seminário recente sobre o tema em São Paulo.

Recentemente, uma pesquisa encomendada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) revelou que profissionais que fizeram cursos técnicos têm, em média, um acréscimo na renda de 18% na comparação com pessoas com perfis socioeconômicos semelhantes que concluíram apenas o ensino médio regular. Na Região Nordeste, a diferença na renda é ainda maior, chegando a quase 22% para os trabalhadores com formação técnica.

O estudo, elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2014, divulgado em março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comparou os rendimentos de trabalhadores que fizeram cursos de educação profissional com aqueles sem esse tipo de formação. Também foram abordados aspectos como gênero, idade, cor, escolaridade, região de moradia, setor de atividade e renda per capita familiar.

De acordo com a pesquisa, divulgada hoje (29) pelo Senai, o acréscimo na renda dos profissionais com curso técnico chega, em média, a 21,4% nas regiões Norte e Centro-Oeste e a 15,1% no Sul e Sudeste.

O que fazer depois do colegial: faculdade, curso técnico, ou tirar um tempo pra você?

Segundo a pesquisa, o universo dos trabalhadores que concluíram um curso técnico está dividido quase igualmente entre homens e mulheres, com os profissionais do sexo masculino representando 50,4%. A maioria declarou-se branca (55,9%) e vive em cidades (95,8%), principalmente em regiões metropolitanas (39,8%).

A maioria tem entre 25 e 44 anos (50,3%) e a maior fatia (75%) se situa nas faixas médias de renda (de um a dois salários mínimos, chegando a ganhar R$ 1.874). Essa renda corresponde a 44,48% entre aqueles que nunca frequentaram cursos de educação profissional, segundo o Senai.

Segundo o site da Agência Brasil, cursos técnicos têm carga horária média de 1.200 horas (cerca de 1 ano e 6 meses) e são destinados a alunos matriculados ou que já concluíram o ensino médio. Têm a finalidade de ensinar uma profissão ao estudante que, ao término, recebe um diploma.

“Um aumento de renda de quase 20% não é trivial. Trata-se de um diferencial relevante e uma prova de que vale a pena investir nessa modalidade de formação profissional”, avaliou o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, na nota divulgada pelo Senai. Ele ressalta que o curso técnico é “o caminho mais rápido” para a inserção qualificada do jovem no mundo do trabalho.

Ou seja: para conseguir uma carreira estável no mercado atual, não é uma ideia tão ruim considerar fazer um curso técnico em alguma área específica e, quem sabe depois, com mais estabilidade, investir em uma faculdade.

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