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Uma ode àqueles que odeiam o carnaval

Eu juro que queria odiar o carnaval. Odiar o carnaval faria um favor para o meu bolso, me colocaria no eixo, me daria mais tempo, mais saúde e mais disposição.

Eu juro que queria odiar cair na folia – mas todo ano estou nela. Entre pessoas suadas, o samba fervendo, o axé tomando conta e os gritos de “3 por 10 reais!”, eu realmente desejo odiar o carnaval, mas não consigo.

Todo ano, eu gasto semanas planejando viagens, costurando fantasias, brigando no Whatsapp porque meus amigos mudaram de ideia na última hora e, mesmo depois de muito combinar, eu comprei umas 5 fantasias à toa, já que todos decidiram cair na folia com uma fantasia improvisada de algum político ou meme.

Eu juro que queria odiar o carnaval. Queria odiar mil pessoas se esmagando atrás de um trio elétrico, a dieta baseada em cerveja, catuaba e jurupinga, e as queimaduras de sol na minha testa e nos meus ombros, mas eu não consigo.

Eu não consigo, e mesmo quando estou esmagada entre dois pessoas sambam como se não ocupassem espaço algum, eu não consigo odiar o carnaval.

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No carnaval, eu não ligo para a bebida que cai na roupa, não ligo para conversar com estranhos na rua – logo eu, que detesto quando puxam papo comigo no metrô – e dou risada quando jogam espuma no meu cabelo.

Uma ode àqueles que odeiam o carnaval

No carnaval, eu fico amiga de quem eu não gosto, viro irmã de quem eu nunca vi, abraço pessoas que provavelmente nunca mais vou encontrar. Logo eu, que odeio contato.

Eu queria odiar o carnaval, queria não decorar marchinhas, não molhar o dinheiro na carteira, não perder meu celular, não rasgar uma fantasia que levei horas para fazer. Mas eu não consigo. Quando eu rasgo minha fantasia em um galho solto de alguma árvore, ou estrago a minha blusa na água salgada das praias do Rio, eu acabo dando risada. Deixo pra lá. Logo eu, que tenho um ciúme tremendo das minhas roupas.

Quando eu acordo na quarta-feira de cinzas, com dor de cabeça e glitter no ouvido, eu penso que queria odiar o carnaval. Se eu odiasse o carnaval, acordaria sem dores nos pés, sem os braços ardendo, sem as pernas doloridas.

Se eu odiasse o carnaval, certamente teria mais uns R$200 na carteira, mas não teria tantas memórias na cabeça.

Eu posso acordar na quarta-feira de cinzas sem lembrar como eu machuquei minha canela, mas vou lembrar que vi crianças pulando na poça d’água jogando serpentina umas nas outras, pais carregando os filhos nos ombros e sendo elogiados pela combinação das fantasias. Vou lembrar do sol iluminando as centenas de lentes dos óculos escuros que escondiam os sorrisos em vários olhares.

Vou lembrar dos casais que eu vi descobrindo afinidades e se despedindo no meio da multidão. Vou lembrar das pessoas que viveram 50 anos em apenas um beijo, de mulheres que perderam a timidez e saíram na rua de biquíni, de homens que deixaram a vergonha de lado e pularam carnaval ao da colega de faculdade que tanto gostam.

E aí, quando eu lembro de tudo isso, eu lembro que por mais que eu queira odiar o carnaval, eu não consigo. E aí eu já começo a me preparar para o próximo.

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