Personagens bissexuais e queer nas HQs mostram que a diversidade não é apenas uma leitura de fãs ou um detalhe de adaptação: em alguns casos, ela faz parte do cânone; em outros, foi confirmada primeiro por roteiristas ou por versões para TV e cinema. O Manual do Homem Moderno reuniu seis exemplos e separou o que cada história realmente confirma.
Quais personagens bissexuais e queer aparecem nas HQs?
Seis exemplos conhecidos são Loki, Mística, John Constantine, Mulher-Maravilha, Mulher-Gato e Harley Quinn, mas eles não compartilham exatamente o mesmo rótulo ou o mesmo tipo de confirmação.
A tabela distingue o que aparece nos quadrinhos, o que foi confirmado por criadores e o que pertence a uma adaptação. Essa diferença evita chamar toda identidade queer de bissexual ou confundir orientação sexual com identidade de gênero.
| Personagem | O que está confirmado | Referência |
|---|---|---|
| Loki | Na fase de Agent of Asgard, o roteirista Al Ewing descreveu Loki como bissexual e com gênero fluido. A série do MCU também tornou a bissexualidade explícita em 2021; são continuidades diferentes. | Declaração de Al Ewing · Confirmação no MCU |
| Mística | A história estabelece sua relação duradoura com Destiny e também relações com homens. É mais preciso descrever esse histórico como bi/queer do que atribuir um rótulo único que a editora nem sempre usa. | Perfil oficial da Marvel |
| John Constantine | A bissexualidade foi estabelecida em Hellblazer #51, de 1992, em uma referência a relacionamentos anteriores com homens e mulheres. | A referência em Hellblazer #51 |
| Mulher-Maravilha | O roteirista Greg Rucka confirmou que Diana é queer e que relações entre mulheres fazem parte da vida em Themyscira. Isso não exige reduzi-la a um rótulo específico de bissexualidade. | Entrevista com Greg Rucka |
| Mulher-Gato | A roteirista Genevieve Valentine confirmou Selina Kyle como bissexual em sua fase de Catwoman, incluindo a relação com Eiko. | Confirmação da roteirista |
| Harley Quinn | O relacionamento com Poison Ivy é canônico e a própria DC descreve as duas como um casal queer. O ponto seguro é a relação explícita, não presumir um rótulo que a história não precise usar. | Histórico oficial do casal |
Como criadores e editoras tornam a representatividade parte do cânone?
A representação fica mais sólida quando a própria narrativa confirma a identidade do personagem, em vez de depender apenas de pistas, marketing ou interpretações de fãs.
Uma entrevista de roteirista ajuda a entender a intenção criativa, mas não é igual a uma cena publicada. Da mesma forma, uma série ou um filme pode tornar explícita uma característica que os quadrinhos já sugeriam, sem que todas as continuidades passem a ser idênticas.
Por isso, vale separar três camadas: o que a HQ mostra diretamente; o que o autor ou a autora explicou em entrevista; e o que uma adaptação confirmou em outra continuidade. No caso de Loki, por exemplo, a série de 2021 tornou a bissexualidade explícita no MCU. Já a Mulher-Maravilha foi descrita como queer por Greg Rucka, enquanto Harley e Ivy passaram de subtexto a relacionamento assumido em histórias da DC.
Essa distinção também protege a leitura contra exageros: uma amizade intensa não prova orientação sexual, assim como um relacionamento atual com uma pessoa de outro gênero não apaga uma identidade bissexual.
O que é apagamento bissexual e por que ele importa?
Apagamento bissexual acontece quando a atração por mais de um gênero é ignorada, tratada como uma fase ou considerada inexistente porque a pessoa está em um relacionamento com apenas uma pessoa.
Uma personagem bissexual não deixa de ser bissexual quando namora alguém de outro gênero, e uma personagem pansexual não precisa ser reclassificada como bissexual para caber em uma lista. Bissexualidade, pansexualidade e o termo guarda-chuva queer podem se relacionar, mas não são sinônimos obrigatórios.
Um indicador de outra mídia ajuda a dimensionar o desafio, sem ser confundido com um levantamento de quadrinhos: no relatório Where We Are on TV 2024–2025, a GLAAD contou 489 personagens LGBTQ+ na televisão; 98 eram bi+ (20%). Entre esses 98 personagens bi+, 40 (41%) não deveriam retornar na temporada seguinte por cancelamentos, encerramentos ou formato limitado. Esses números são de TV, não de HQs, mas mostram como a visibilidade pode continuar instável.
Para entender melhor os termos, leia também o guia do MHM sobre o que significa ser bissexual.
Onde encontrar HQs LGBTQIA+ além de Marvel e DC?
Para ampliar o repertório, vale buscar editoras independentes, antologias e projetos de curadoria que dão espaço a autores LGBTQIA+ e a histórias fora dos universos de super-heróis mais conhecidos.
Projetos como a Mina de HQ ajudam a descobrir outras vozes e caminhos de leitura. Também vale explorar listas de personagens de diferentes origens, como o guia do MHM sobre super-heróis negros nos quadrinhos, e a seleção sobre heróis que mudaram de personagem.
O melhor critério é observar o que a obra realmente apresenta e como seus criadores descrevem os personagens. Assim, a diversidade aparece como parte da história — e não como um rótulo colocado de fora.
Fontes de referência: relatório da GLAAD sobre representação na TV; Marvel; DC.
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