Quando eu organizava festas de faculdade

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Durante muitos anos fui da Atlética de Comunicação da PUC-SP. Neste meu período de comissão organizadora, nada superou o JUCA de 2008. Quem foi lembra e fala até hoje.

Os Jogos Universitários de Comunicação e Artes são uma disputa esportiva realizada entre 8 faculdades da cidade de São Paulo realizados durante quatro dias em uma cidade do interior do estado. Aquela edição foi uma perfeita união entre boas vitórias nas modalidades esportivas com uma organização de festas muito boa e inesquecíveis.

Nos outros 3 anos em que organizei o mesmo evento, a meta sempre foi tentar chegar em algo que fosse tão bom quanto foi aquela edição. Nunca consegui.

Uma prova para mim que o sonho de todo organizador é fazer um evento inesquecível para o seu público. Mas qual o preço disso?

A linha tênue entre o bem e o mal

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Organizar eventos durante a época da faculdade é andar por uma linha muito fina que divide a responsabilidade e a irresponsabilidade.

É uma grande responsabilidade já que ninguém te paga para isso. Você é quem organiza os jogos, treinos, festas, ações de caridade, encontros e todo tipo de coisa por vontade própria e pelo simples prazer de fazer parte da organização dos eventos.

Não minto: Fazer parte da Atlética me deu uma experiência que muitos estágios e aulas da faculdade jamais conseguiriam oferecer. Você aprende sobre como gerir equipes, lidar com dinheiro, organização pessoal e muito mais.

Mas também é de uma irresponsabilidade imensa já que muitos destes eventos, principalmente as festas, não tem licença para vender bebidas. Além disso, muitos dos espaços que recebem festas grandes não tem alvará para receber a quantidade de pessoas que recebe. Já vi um espaço onde os bombeiros afirmaram que só poderiam receber 500 pessoas comportar uma festa com no mínimo 1200.

Isso sem contar a falta ambulâncias, bombeiros e seguranças em muitos desses. E muito se engana quem pensa que festas de faculdade são eventos pequenos. Uma festa de um jogo universitário grande, por exemplo, pode receber cerca de 5 mil a 6 mil alunos. Mais do que muito show de banda nacional grande.

O que eu passei na organização

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“Na volta para casa, a falta de um de nós, é a falta de todos nós” – Mano Brown

Estupro, morte por coma alcoólica, morte por afogamento… Pessoalmente, quando organizava festas de faculdade minha preocupação maior – e desespero – era o bem estar e sobrevivência dos alunos presentes.

Cansei de fazer aluno parar de beber, carregar bêbados, levar bicho para casa, levar alguém machucado para hospital, mandar brigões darem uma maneirada senão ia expulsar eles do rolê. Tudo para que uma fatalidade não estragasse a festa inteira.

Mas, aonde está a cabeça desses organizadores de hoje? Você vê mais de dez alunos sendo arrastados por coma alcoólico para fora de uma festa e trata como se fosse algo normal?

Sim, existem dois culpados. Também cabe uma boa parcela de culpa para o aluno inconsequente. Aquele que age como  uma criança em corpo de adulto e que pensa que, só por ter seus 20 poucos anos, é imortal e pode fazer o que quiser. Não pode e, a exemplo do que temos visto, não sobrevive a tudo não.

Mas não podemos eximir de responsabilidade o organizador inconsequente. Aquele que dá os meios para que o público da festa possa ultrapassar a barreira do limite.

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Um cara que cria uma maratona para um aluno poder beber mais de 20 doses de vodka é fazer um convite  para que a merda seja feita. Quase como dar uma arma carregada para uma criança e culpá-la de dar um tiro na própria cabeça.

Imagine uma festa onde 5 pessoas precisam ser hospitalizadas e uma morre e ninguém faz nada. Um cara que se prestou a criar o e vento assiste um aluno beber sem parar 28 doses de vodka e nem sequer se preocupa com o que vai acontecer com aquele rapaz.

Fazer uma festa épica com a incrível maratona de vodkas vale a vida de um aluno? Com certeza o evento vai ser lembrado para sempre, mas pelos piores motivos possíveis.

Dou um passo além. E nos casos de estupro dentro das festas no bosque em uma faculdade em São Paulo? A culpa é só dos estupradores ou da organização que, ano após ano, fecha os olhos para o que acontece lá?

Quando eu era organizador tentava fazer o melhor de cada evento que criávamos, mas no fim do dia, o que me dava a paz de deitar minha cabeça no travesseiro e saber que todos alunos tinham voltado sãos e salvos para suas casas.

Que os últimos – e trágicos – incidentes mostrem para essa geração que antes de uma bebedeira épica, o que importa é que o aluno sobreviva à aquele evento. E que todos esses jovens cheguem em casa bem.

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