Como elaborar metas práticas (e realistas) para o ano de 2018

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Depois dos perus e das lentilhas o ano novo começa e com ele muita gente se sente motivada a mudar o que precisa na vida, seja para alcançar sonhos há muito cultivados ou objetivos mais recentes, mas também adiados.

Como orientador de carreiras, entendo ser limitador se restringir a começar um projeto, inclusive projetos profissionais, apenas no primeiro dia de cada ano. Ainda assim, se esse for o seu caso não se preocupe, o presente texto foi escrito para você e para aqueles que decidirem começar a buscar o que querem nos outros dias do ano.

Você deve ter percebido, chamei essas metas de projetos. Uso esse termo porque ele diz respeito a algo que alguém planeja ou pretende fazer, assim como um trabalho que se pretende realizar.

Irei apresentar passos necessários na elaboração dessas metas, assim como o que precisa ser feito para transformar o que você deseja em realidade. Vamos a eles:

1. Defina os seus objetivos

Defina os seus objetivos para 2018. A frase anterior é curta, possível de ser escrita com poucas palavras, mas muita gente tem dificuldade nesse passo.

É grande a frequência de pessoas em consultórios de Psicologia, de orientação profissional e orientação de carreiras que afirmam angustiadamente que não sabem o que querem para si e para a sua vida. Isso é de fato um problema, já que quem não sabe para onde quer ir, provavelmente não saberá por onde andar e nem em que local encontrará satisfação.

Geralmente essa falta de conhecimento sobre sonhos e desejos ocorre devido a medos, repressões ou falta de reconhecimento da importância daquilo que se deseja.

Exemplifico, alguém que trabalha em uma empresa há alguns anos e que entende que já merece estar em uma posição de gestão devido a sua experiência e competência, mas que viu com o tempo que a rotatividade dos cargos de chefia é muito grande devido a pressão por desempenho, com possibilidade maior dos chefes serem demitidos do que no seu cargo atual, acaba concluindo ser, no mínimo, menos difícil se manter frustrado no seu cargo do que arriscar esse novo passo com todos os seus perigos.

De forma que essa conclusão se dá de maneira tão profunda, baseada nesse medo não totalmente consciente, que a pessoa chega a ter dificuldade de perceber que quer ser chefe. Se você tem essa dificuldade de conseguir reconhecer o que deseja recomendo procurar ajuda profissional com os profissionais acima citados, se não for o seu caso vamos em frente.

Então, você conseguiu definir alguns objetivos. Isso é muito bom. Agora precisamos dar uma peneirada neles usando duas ferramentas importantes nessa área, que formarão um eficiente filtro: é a honestidade, a outra é a realidade.

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Ao utilizar a união delas eu posso afirmar categoricamente mesmo sem lhe conhecer que você, meu amigo ou minha amiga, não irá resolver a sua vida e alcançar todos os seus objetivos em 2018, a menos que seja uma pessoa com sonhos e metas bem simples.

Aponto isso para possa avaliar o que pretende, analisar as possibilidades reais, de maneira honesta e assumir para o ano que está para começar aquilo que será possível realizar nesses próximos 12 meses. Ser honesto consigo mesmo evita criação de expectativas falsas e frustrações que podem levar ao abandono de qualquer projeto, inclusive esses.

Pensar a respeito colocando em um texto as suas metas divididas como objetivos gerais e específicos, em longo, médio e em curto prazo pode ser útil para conseguir visualizar melhor o que terá que ser feito. Em 2018 caberão as metas de curto e médio prazo.

Fique tranquilo, o Bill Gates e o Steve Jobs também não construíram as suas empresas como as conhecemos hoje em um ano, se tivessem tal expectativa teriam fracassado e talvez não estaríamos usando os computadores como usamos hoje.

Cabe aqui uma ressalva, quando falo sobre ser honesto sobre objetivos profissionais estou me referindo a você consigo mesmo, uma vez que pode ser difícil, e às vezes até prejudicial, expor esses desejos em ambiente profissional. Recomendo avaliar caso a caso, tentando não se prejudicar. Por exemplo, falar para o seu chefe que você quer o cargo dele pode te levar mais fácil para a demissão do que para a promoção. Seja prudente.

Seja honesto consigo mesmo também sobre as suas possibilidades. A mídia, principalmente a TV aberta, adora histórias heroicas de superação. As pessoas admiram isso, mas poucas querem ser o herói. E por um motivo simples, o herói geralmente sofre muito e nem sempre tem o seu sofrimento recompensado na mesma intensidade.

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Um exemplo prático: Alguém adulto, casado e com filhos, resolve que quer ser médico. É possível, mas para muitas pessoas nessa fase da vida será praticamente impossível se dedicar a uma faculdade integral, geralmente bem cara ou que precisa de muito estudo para se conseguir uma vaga em faculdade publica. Sendo essa faculdade de tempo integral, a pessoa não poderá disponibilizar várias horas dos seus dias em uma atividade remunerada.

Se tal vestibulando hipotético precisasse trabalhar para sustentar a si e a sua família, buscar tal objetivo seria algo que envolveria muito sofrimento, tanto devido ao grande cansaço no caso dele tentar trabalhar nas horas em que não estivesse estudando, quanto por se sentir negligenciando os cuidados familiares por não poder levar dinheiro para casa, se optasse por apenas estudar. Ainda assim, nesses casos desistir de tal objetivo também é algo muito sofrido, já que envolve o reconhecimento de limites e que algumas fantasias nunca deixarão de ser apenas isso, fantasias.

O exemplo anterior mostra que temos que ser honestos tanto com a possibilidade real de alcançar os nossos objetivos, quanto com a capacidade de trabalhar na busca do que se quer. Em síntese, se impedir de escolher metas irreais evita frustrações que fazem com que todo o projeto seja abandonado.

No entanto, é preciso pontuar duas considerações: Estou lhe orientando a ser honesto com relação a sua capacidade tanto de alcançar o que se quer, quanto de trabalhar nisso, mas não estou dizendo para ser displicente em nenhum dos dois pontos.

Outra ressalva importante é que todo mundo tem liberdade para tentar ser heroico. Não pretendo lhe desestimular disso, mas tenha consciência das consequências para a sua qualidade de vida e da possibilidade de se frustrar se não conseguir.

Pensar sobre a viabilidade dos seus objetivos lhe ajudará a ter mais contato com a realidade do que será necessário para alcançar o que se quer, mas antes disso é preciso ter clareza do ponto de partida. Vamos a esse ponto.

2. Avalie onde você está hoje

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Aqui novamente é preciso ser honesto. Guarde as mentiras e exageros para ceias de fim de ano com a família, reuniões de turma e conversas de bar. Nesse seu processo íntimo de avaliação de onde se está, para poder saber o que é preciso para se chegar onde se quer, ser honesto consigo mesmo é fundamental.

Quanto a isso gosto de usar a seguinte analogia: para alguém que quer perder peso poder ter um projeto de emagrecimento, inicialmente é preciso não apenas se ter em mente o peso que se quer chegar, mas subir na balança e saber o peso que se tem no começo do plano. Quando se estabelece outras metas, inclusive profissionais, também é preciso ter clareza de onde se está no início do planejamento.

Algumas vezes é fácil fazer tal avaliação, por exemplo, um vestibulando sabe que terminou o ensino médio e quer passar no vestibular para poder estudar o curso escolhido. Outras situações pedem uma avaliação mais complexa, como no caso desse mesmo vestibulando ter estudado em uma escola de ensino deficiente e querer estudar em um curso concorrido de uma universidade pública.

Nesse caso ele terá que avaliar a necessidade de fazer um curso pré-vestibular, já que ainda não está apto para prestar esse vestibular com competitividade, uma vez que está em um estágio anterior a esse do projeto.

Em alguns casos é ainda menos claro saber onde se está com relação a alguma meta porque não pensamos a respeito desse ponto de partida. Uma possibilidade para se resolver isso é ao fixar o seu objetivo se perguntar quão longe se está de consegui-lo. Ao fazer isso frequentemente nos damos conta do que é preciso realizar para se vencer essa distância, já que trazemos à realidade o desejo e ela faz o resto. Eventuais dificuldades com senso de realidade também requerem ajuda profissional, mas conversar com familiares e amigos já pode ser útil.

Recomendo conversar com alguém de confiança sobre os seus objetivos e a sua distância até eles, se o seu senso de realidade tiver alguma distorção normalmente ficará claro nessa conversa. E eu espero que essa pessoa seja sincera com você.

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Nesse último exemplo, nosso vestibulando fictício já está há alguns anos estudando na escola, então o projeto dele de ser aprovado em um vestibular já está em curso. Em alguns casos é possível que os seus projetos também já tenham alguns passos dados, mesmo que esse andar esteja lento e meio sem direção. O que nos leva a pensar se a carreira que você está cultivando é a mesma que você almeja.

A palavra cultivando aqui pode soar estranha, mas é justamente isso que fazemos. Todos nós temos a vida resultante das escolhas que fazemos e mantemos. Tal qual um agricultor que planta uma semente de laranja e cuida da planta durante meses e anos. Na nossa vida, inclusive a profissional, se plantamos laranjas não há porque termos a expectativa de colhermos pêssegos. Muita gente vive em um estado crônico de frustração porque não se dá conta disso.

O fato é que você tem a carreira que tem hoje e está em determinado ponto dela porque as suas escolhas fizeram você construí-la e mantê-la no sentido atual. Se a sua meta é colher algo diferente nessa sua plantação, então você terá que semear algo diferente. Ou abrindo mão das analogias, se você quer mudar algo na sua carreira terá que fazer escolhas diferentes e conseguir lidar com as consequências delas.

Ao darmos conta do que construímos na nossa carreira e de em que ponto estamos dela, podemos avaliar como está a nossa evolução rumo aos nossos objetivos. Tal análise, quando sincera, permite-nos verificar os ajustes necessários no que se refere tanto a direção, quanto a forma, possibilitando a correção de erros e mal-entendidos, assim como favorecendo uma reafirmação de projetos negligenciados . E isso nos leva ao próximo tópico.

3. Elaborando um plano de ação

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Então você sabe quais são os seus objetivos, a distância a que está deles, o quanto já age para consegui-los e descontou nesses três momentos os exageros e mentiras que eventualmente conta para si mesmo. É tempo de elaborar o plano de ação para conseguir o que se quer.

Como eu disse antes, muitas metas não são possíveis de serem alcançadas em curto tempo. Sendo necessário planejar ações em intervalos maior de tempo. Recomendo avaliar a necessidade de pensar em ações de curto, médio e longo prazo, dependendo das suas metas.

Para 2018 teremos as metas de curto e médio prazo, as de longo talvez ocorram no final do próximo ano ou posteriormente. Algo que ajuda nessa avaliação é conseguir ponderar se dá para conseguir o que você quer ainda em 2018. Caso tenha alguma dúvida, pense se você tem recursos para tal.
É importante nessa avaliação considerar se todas as ações e condições dependem exclusivamente de você ou se estão sujeitas a condições externas como o desejo de outras pessoas, instituições e etc.

Um exemplo a esse respeito: investir todas as suas economias em um empreendimento durante uma crise econômica e achar que será um sucesso baseando tal conclusão apenas na sua vontade de trabalhar sem ter um chefe não é algo real. Situações conturbadas, de risco ou de forte competição pedem ainda mais planejamento e preparo tanto para lidar com as dificuldades, quanto com a possibilidade de fracassar.

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Estabeleça prioridades no seu planejamento. Habitualmente temos metas mais importantes do que outras e umas mais urgentes do que outras. Por exemplo, para adultos, ter um trabalho remunerado é mais urgente do que virar CEO de uma empresa.

Para um arrimo de família desempregado, a meta mais importante tem que ser conseguir emprego, ou no mínimo um trabalho remunerado. No entanto, alguns projetos não permitem serem tratados com menos prioridade do que o necessário, se esse erro for cometido eles nunca virarão realidade.

Por exemplo, o fundador do Facebook abandonou a faculdade para poder se dedicar a sua criação. Talvez nunca tivesse existido tal rede social se ele e seus sócios apenas trabalhassem nisso quando tivessem tempo livre ou depois de formados.

Considerando tudo isso, pense no que terá que fazer para conseguir cada uma de suas metas, como cada passo será dado e quanto tempo precisará para cada um. Sugiro novamente colocar tais projetos e os seus passos em um papel (ou um documento no seu editor de texto preferido) para que você possa consultá-los com clareza sempre que se sentir perdido, paralisado ou querendo retomar um desejo que eventualmente tenha sido negligenciado.

É melhor fazer isso do que só confiar na memória. Tais projetos escritos poderão ser reavaliados e mudados no futuro, afinal a vida muda, o mundo muda, você muda e também tem direito de mudar os seus objetivos.

4. Seja disciplinado

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Como coloquei anteriormente, algumas metas pedem mais tempo de dedicação para serem realizadas. Um estudante de Psicologia estuda cinco anos antes de poder se formar. Um estudante de medicina estudará quase uma década para ser um especialista.

Esses são exemplos de projetos longos, mas mesmo algumas metas de obtenção mais rápidas pedem disciplina no projeto de conseguir transformar um sonho em realidade. Como disse o poeta, viver é melhor que sonhar, mas ele não falou que algumas vezes é preciso trabalho e compromisso para transformar sonhos em realidade. Então coube a mim lhe insistir na importância disso.

Vale retomar o que eu disse anteriormente sobre colhermos o que plantamos. Falta de disciplina e compromisso com as nossas metas fazem com que plantemos coisas que não iremos querer colher ou que não teremos opção melhor para colher.

Por exemplo, se você sabe que para progredir na hierarquia da empresa em que trabalha é preciso um trabalho bom ou ótimo e você faz (planta) um trabalho mediano por falta de dedicação, a paralisia da sua evolução na empresa será algo que você irá colher. Querendo ou não.

Trabalhar no seu projeto, ver que está conseguindo realizar os passos pretendidos, nos prazos estipulados, ou mesmo em períodos próximos, o estimulará a continuar trabalhando nele. É a sensação de ver a sua plantação se desenvolvendo. O prazer da realização é algo muito motivador.

5. Seja flexível com relações a desvios e tolerante consigo mesmo

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O planejamento é importante, a sinceridade para saber onde se está, o que poderá conseguir e o que precisará fazer para tal, também são, assim como a disciplina, mas algumas vezes as coisas não saem como a gente planeja. Tanto por erro de planejamento, quanto por falta de dedicação ou ainda por interferências externas que não estão sob o nosso controle.

Esses momentos pedem uma boa avaliação sobre a nossa responsabilidade nesses desvios e flexibilidade para reajustar o planejamento para esse novo momento.

Aqui cabe ponderar brevemente sobre a autocrítica. Ela é necessária para verificarmos os nossos erros e pontos a serem melhorados. Possibilita inclusive a pessoa a ser disciplinada e focada nas suas metas quando tudo vai bem e a corrigir o que errou quando necessário.

Mas autocrítica exagerada pode paralisar e agredir a pessoa ajudando pouco na realização dos seus projetos. Fique atento a isso e se for o caso recorra a ajuda. Psicólogos são úteis nesses casos.

6. Sempre é tempo para buscar o que precisa para ser feliz

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Há quem diga que viver bem é viver sempre com sonhos e projetos em andamento. Eu concordo com isso. Sendo assim, sempre é tempo de buscar o que se quer. Se não for possível em 2018, que seja nos próximos anos.

O dia do primeiro passo de um projeto já é mais próximo da sua realização do que o dia anterior, mesmo que esse dia inicial tenha sido postergado. Ou seja, sempre é melhor começar do que ficar apenas desejando.

7. Retomando a receita

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Espero que esse texto tenha sido útil para você que chegou até aqui. Dado o tamanho irei retomar a receita. Para a elaboração de metas práticas (realistas e honestas) e como transformá-las em realidade você precisará saber:

1. O que quer.
2. Se tem condições de alcançar.
3. A distância atual do objetivo.
4. O que tem que fazer para alcançar.
5. Como fazer isso.
6. Separar as ilusões e exageros para usar apenas na mesa de bar e reuniões de família.
8. Criar um projeto considerando prioridades e prazos.
7. Ser comprometido na realização desses passos.
8. Avaliar a sua evolução.
9. Ser compreensivo em caso de dificuldades.
Desejo bom trabalho e boa sorte a vocês nesse próximo ano e nos que virão. Caso precisem de ajuda com a sua carreira e as suas metas estamos a disposição.

Texto colaborativo de Clayton dos Santos-Silva. Psicólogo (CRP 06/103012), orientador profissional e orientador de carreiras pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Membro do Labor – Laboratório de Estudos sobre Trabalho e Orientação Profissional da USP. Torcendo para que as pessoas consigam alcançar as suas metas sem (auto) enganação.”

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