Felipe Nasr: Uma entrevista com o piloto de Fórmula 1

Com 22 anos, Felipe Nasr é um piloto de Fórmula 1 que chamou atenção por ser o melhor de brasileiro estreante na categoria de elite do automobilismo mundial.  Atualmente ocupando a 12ª colocação do Campeonato Mundial de Pilotos com 16 pontos, o piloto atua pela equipe Sauber.

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A convite dos nossos amigos da Oakley, conversamos com o piloto sobre sua carreira, rotina e sobre a Fórmula 1. Você pode assistir a conversa na integra no vídeo ou ler alguns dos melhores momentos logo abaixo:

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Medo da morte

ESPORTE DE RISCO

“A morte do Bianchi, foi a primeira vez que os pilotos da minha geração tiveram que encarar algo do tipo. Mas, a morte não me incomoda. Se você tiver pensando nisso enquanto pilota, não vai conseguir extrair o melhor de você.

A Fórmula 1 queria ou não queira sempre foi um esporte de risco. (…) Já perdemos vários pilotos. Desde Ayrton Senna, a gente não perdia um piloto na Fórmula 1. É um caso delicado porque não só chacoalha os pilotos, como também a categoria.

A gente nunca pode parar no sentido de procurar segurança. Desde o acidente do Bianchi, muita coisa mudou, principalmente na união dos pilotos. A gente conversa muito mais. Dá opiniões de segurança e do que precisa melhorar. É um lado que nunca pode ficar confortável.

A Fórmula 1 é um esporte de risco, mas quando a gente coloca o capacete e fecha a viseira, vai para o melhor possível. A gente vai para ganhar a corrida.”

Sobre a velocidade

“Velocidade é a adrenalina. A emoção envolvida. Você está dividindo a pista com os melhores pilotos do mundo. É uma das primeiras coisas que você acostuma em um carro de Fórmula 1.

É a que mais impressiona no começo, mas que você se acostuma mais rápido. Em três, quatro voltas você já se acostuma com aquela sensação.

Depois disso vem os freios. É impressionante a capacidade de freada do carro. Tem freada que você chega até a 5G. Então, é mais uma sensação que você explora e tem que conhecer.”

Sobre a influência do piloto sobre o carro

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“A construção do carro é fundamental para o resultado. Na Fórmula 1, o carro é responsável por pelo menos 70% do resultado final. O resto vem do piloto.

De sua imposição, informação, de seu entendimento técnico, de como ele acerta o carro… Isso varia muito de piloto para piloto. Tem uns que gostam de um carro de um jeito, outros de outra maneira.

Na Formula 1, diferente de outras categorias, o piloto tem total prioridade para passar essa informação para sua equipe e engenheiro, para assim, conseguir construir um carro baseado nesta informação.

Tem como a Formula 1 chegar a classes mais humildes?

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“Tudo ao redor da Fórmula 1 está em um patamar muito alto. O investimento na categoria é muito alto, fazendo dele um esporte muito caro. Diferente do tênis ou do futebol onde o atleta precisa de equipamento, um bom treinador e se preocupar de estar sempre treinando.

Já um carro de corrida envolve muitas coisas: Muito equipamento, você precisa de vários mecânicos, a manutenção é cara…. Você precisa de um investimento pra isso.

Para ter essa acessibilidade é uma questão difícil, mas existem muito programas no mundo que ajudam. No Brasil, é uma coisa que ainda peca.

Não temos um programa para encontrar futuros pilotos que sejam identificados na base do kart. Se o talento é identificado, eu acho que ele tem que ser trabalhado.

Na Alemanha e na Itália existem vários programas, até mesmo de montadoras que envovlem esse incentivo desde o kart, de 7 a 10 anos.

Isso é um obstáculo no Brasil. Eu passei por isso. Conheço vários pilotos que passaram por isso. É algo que tem qe ser trabalhado. O brasileiro é um apaixonado por automobilismo e, pela história, a gente sempre teve bons pilotos. Falta a conseguir identificar esse talentos, trabalhá-los e dar uma chance para eles despontarem.”

O brasileiro só valoriza o atleta na vitória?

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“O brasileiro só sabe ganahr. Tem o lado negativo e o positiivo. Se você é um piloto vitorioso e que as pessoas acreditam, tem um apoio enorme da torcida. Mas o lado negativo que isso cria uma cobrança enorme.

Eu acho que tem que ter um equilibrio nas duas coisas. Vencer na formula 1 tá cada dia mais difícil. Não adianta pegar o melhor piloto e colocar ele no pior carro. ELe não vai ganhar um campeonato. Ele não vai ganhar uma corrida.

O piloto precisa de condições favoraveis que tornem ele em um piloto vitorioso. Eu acho que ai vem muito da paciencia do torcedor. Invés de criticar e cobrar. talvez não seja a hora dele estar lutando por uma vitória. Na hora certa tem que vir a coisa positiva. De passar a garra, energia positiva e paixão pelo automobilismo.”

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