O problema não é a doença, é a ignorância

O problema não é a doença, é a ignorância.

Homens morrem mais que as mulheres em todas as faixas etárias. Quer dizer, menos acima dos 80 anos, já que dificilmente chegam a essa idade. As causas desta discrepância são muitas.

Homens estão mais expostos aos acidentes de trabalho e trânsito, são maioria no uso abusivo de álcool e drogas, envolvem-se mais em situações de violência e no crime. Porém, vou focar em apenas dois fatores nos próximos parágrafos, saúde e ignorância. A mistura entre os dois é muito mais letal do que você pode imaginar.

Muitos homens acreditam que nunca vão adoecer. Um levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo apontou que 70% das pessoas do sexo masculino que procuram um consultório médico apenas o fizeram porque houve influência da mulher ou de seus filhos.

Em muitos casos, o cidadão só busca ajuda quando a dor ou o incômodo começa a atrapalhar o seu estilo de vida a ponto dele não pode fazer as atividades às quais está acostumado. Ao chegar no hospital, muitos descobrem que se encontram em um quadro avançado que poderia ter sido evitado se tivessem buscado um especialista mais cedo. Isso quando não chegam a tempo, porém não seguem o tratamento recomendado. Um bom exemplo da postura irresponsável dos homens, é o câncer de próstata.

Hoje, câncer de próstata é segundo tipo de câncer mais frequente em homens no Brasil, “perdendo” apenas para o câncer de pele. Porém, diagnosticar a doença em fase inicial possibilita que o tratamento tenha êxito em 9 entre 10 casos.

Uma das neoplasias que mais causa vítimas no país é um mal evitável. Infelizmente, segundo estudos do IBGE, apenas 25% dos homens com mais de 50 anos fizeram o exame de toque. Ou seja, 75% dos brasileiros escolheu a doença como o caminho a ser seguido. E aqui, chegamos em um ponto-chave deste texto.

Quando falamos em exame de toque, muito metido a macho alfa prontamente enche o peito e responde:

“O cu é meu e jamais encostarão nele. Prefiro morrer do que passar por esse exame. Quem sofre sou eu, então escolhe o câncer mesmo.”

Não só é o tipo de resposta ignorante de um tipo de homem que deveria ficado para trás na história junto na virada do século, como é uma falácia sem tamanho.

Sim, o cu é do cidadão, mas ele não vai sofrer as consequências do câncer de próstata sozinho. A resistência masculina ao tratamento médico causa sobrecarga financeira nos sistemas de saúde que, não só tem que providenciar verba para o tratamento da doença, como, todo ano, gasta milhões em campanha de conscientização a fim de evitar esse gasto com doenças evitáveis. Ou seja, o governo gasta dinheiro para evitar ter que gastar com homens que desenvolvem doenças evitáveis. Não é só um cuzão que sofre. É uma sociedade inteira que paga pelo tratamento dele.

Deixemos o Estado de lado, vamos falar da família. Enquanto o consagrado com o cu imaculado passa seus dias no hospital tratando sua doença (seja ela qual for), quem sofre física e emocionalmente é a sua família. Nos momentos de doenças, os entes queridos fazem dívida para pagar as contas do enfermo. São eles que voltam todas suas energias para orações e passam noites em claro temendo pelo estado de saúde do paciente. No final, quem sofre mesmo são as famílias que perdem seus entes queridos. É a mãe que tem que enterrar um filho, a esposa que vai ter que manter a casa sem a parceria do marido e o filho que fica sem um pai.

O problema não é a doença, é a ignorância. Homens morrem 7 anos mais cedo do que as mulheres não por uma causa nobre e viril, mas sim por um motivo idiota. Morrem porque se orgulham de uma ignorância que não só custa ao Sistema de Saúde como faz vítimas as pobres pessoas que deram a infelicidade de os terem como entes queridos.

Lembre, o custo do cuidado é sempre menor do que o custo do reparo. A prevenção é a melhor maneira de garantir que a gente vai estar aqui para curtir nossa família por muitos e muitos anos.

Não existe masculinidade no mundo que seja uma boa desculpa para um indivíduo não buscar ajuda médica. Existe sim a ignorância e esta precisa ser destacada, reprimida e aqueles que se apoiam nela precisam ser orientados do caminho certo a ser seguido. Aqui sim cabe a firmeza.

Não podemos deixar que o comportamento dos idiotas paute o mundo e se torne a regra a ser seguida. Só assim, garantimos a vida de nossos entes queridos e a integridade de um sistema que não precisa gastar milhões em males evitáveis.

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