Discutir por política no trabalho só diminui a produtividade

Não é só por aqui que o dualismo e a superficialidade faz parte dos debates: nos Estados Unidos, as brigas entre democratas e republicanos acontecem há décadas e atrapalham bastante o dia a dia dos norte-americanos.

Dualismo nunca é saudável e enquadrar pessoas em estereótipos também não. O principal problema de atacar alguém por causa da sua visão política é o enfraquecimento intelectual de ambas as partes. Quando você conversa civilizadamente e debate alguma questão política com alguém que pensa diferente, você pode aprender muita coisa e também ensinar e enxergar uma perspectiva diferente. Quando você briga, entretanto, e prejulga comportamentos sem antes ouvir e entender, o cenário é outro.

Um estudo norte-americano da Associação Americana de Psicologia analisou as mudanças nas relações profissionais dos americanos em 2016 – ano das eleições presidenciais no país – e descobriu que discutir política no trabalho aumenta o stress, cria rixas entre funcionários e produz um isolamento entre eles.

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A pesquisa foi feita na internet, entre 10 e 12 de agosto, e consultou 927 adultos empregados. Eles só precisaram responder algumas perguntas sobre o tema e, pelos resultados, a gente consegue ver que o debate político realmente atrapalha a rotina no trabalho: pelo menos 28% dos trabalhadores jovens (entre 18 e 34 anos) disseram que estavam estressados exclusivamente por causa do aumento de debates políticos durante o expediente, e 19% disseram que a produtividade caiu muito desde que as discussões relacionadas às eleições tomaram conta dos papos no intervalo.

Além disso, 24% também acreditam que a qualidade do trabalho despencou, e 21% afirmaram que sofreram dificuldades para terminar o trabalho do dia por causa dessa treta.

Mas, no meio desse quebra pau, nem todo mundo sofre as mesmas consequências: a pesquisa apontou que os homens, especialmente os mais jovens, são os que mais têm o trabalho penalizado pelas discussões políticas.

A revista Superinteressante destacou que duas vezes mais homens jovens disseram estar isolados de seus colegas de trabalho do que as mulheres com mais ou menos a mesma idade, e 18% dos homens relatou já ter brigado por política com os colegas de trabalho – só 4% das mulheres já fizeram a mesma coisa.

Agora vem a parte mais interessante do estudo: quase metade (47%, especificamente) dos entrevistados acredita que esse tipo de debate caloroso não aconteceria no passado. Para eles, a principal ferramenta que estimula as brigas é o Facebook. E o Twitter, é claro.

As brigas podem não acontecer nas redes sociais durante o horário de trabalho mas, sem elas, muitos jovens não receberiam tanta informação – altamente desqualificada, tendenciosa e repleta de ódio – para brigar no trabalho.

O problema, afinal, não é se informar. O problema é se informar com mentiras e com a opinião repleta de ódio de outras pessoas.

A influência das redes sociais, aliás, pode explicar o fato dos jovens se envolverem bem mais e ficarem mais abalados por causa das tretas.

As outras respostas, entretanto, mostram que os entrevistados preferem evitar ao máximo entrar nessas discussões: 54% das pessoas disseram que tentam não discutir política com os colegas, e 60% afirmaram que as pessoas no trabalho, em geral, são respeitosas umas com as outras.

A minoria (20%) passou a evitar colegas com opiniões diferentes para evitar as brigas.

Porém, 56% afirmaram que já presenciaram uma briga feia relacionada à política no ambiente de trabalho. Cerca de 11% contam que já entraram em uma dessas tretas. Pelos menos 15% também disse que a própria postura mudou de “neutro” para “cínico” ou “grosso” para se proteger de ataques de quem não tem a mesma visão política.

E não importa a visão política! Se você achava que os coxinhas eram mais esquentados que os petralhas, por exemplo, pode esquecer: não importa a visão política, o estudo não encontrou diferença expressiva entre os níveis de estresse dos republicamos e democratas.

Olha, a gente sabe que a divisão política dos Estados Unidos é bem diferente da nossa, mas muita gente – inclusive teóricos da área – comparam os dois extremos políticos dos EUA com os nossos extremos aqui no Brasil.

E você, já presenciou ou participou de uma briga dessas?

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