Frank Sinatra e a sua (perigosa) ligação com a Máfia Italiana

Se Frank Sinatra tivesse que culpar alguém por  ser chamado de mafioso, Mario Puzo e seu livro “O Poderoso Chefão” seriam os principais responsáveis. Publicado em 1969, a obra  foi um sucesso de vendas, permanecendo mais de um ano na lista dos mais vendidos nos Estados Unidos.

Esse fenômeno literário garantiu ao autor um valioso contracheque da Paramount para adaptar a obra ao cinema. O resultado, como sabemos, foi um dos filmes mais elogiados e assistidos da história. Mas, vamos nos ater na parte em que o cantor Sinatra se encaixa em tudo isso.

Em determinado momento de “O Poderoso Chefão”, Don Corleone resolve ajudar a carreira de Johnny Fontane, um músico amigo da família de mafiosos e que queria uma chance para estrelar uma produção de Hollywood.

Esse arco dá origem a não só uma das falas mais lembradas do filme – “Vou fazer uma proposta que ele não pode recusar” – como acaba gerando a famosa cena em que o produtor do filme acorda com uma cabeça de cavalo cortada em sua cama.

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Para muitos, tanto o livro, como o filme, eram quase uma delação de Mario Puzo de que Frank Sinatra tinha ligações com a Mafia. Já que, em 1953, o cantor – filho de dois imigrantes italianos e de origem humilde – foi estranhamente escalado para um papel importante no longa “A Um Passo da Eternidade”. A participação lhe garantiu um Oscar de melhor coadjuvante e acabou salvando sua carreira que estava em baixa na época.

Separando fatos da ficção. O papel foi dado ao cantor muito mais por sua insistência, talento e uma “curiosa amizade” – leia-se caso amoroso – com Ava Gardner, esposa do diretor  Fred Zinneman, do que por sua amizade com a máfia.

Além disso, ele era italiano e se parecia mais fisicamente com o personagem para o qual foi escalado. Ao contrário de Eli Wallach – o feio, de “Três Homens em Conflito (1966)” – que era judeu e não se parecia tanto com o papel a qual havia sido escalado inicialmente.

Tudo isso é relatado na biografia de “His Way”, de 1983, e confirmado pelos envolvidos na produção. Ou seja, a história fictícia de Johnny Fontane não é uma retratação perfeita do que aconteceu na vida real. Mas, deixando essa história de lado, sim, Frank Sinatra tinha ligações com a mafia italiana. E não eram poucas.

A ligações perigosas

Preste atenção na foto acima. Ela foi registrada no camarim de um teatro de New York em 1976.

Da esquerda para a direita, temos “Big Paul Castellano”, Gregory de Palma, Frank Sinatra, Thomas Marson, Don Carlo Gambino , Jimmy “The Weasel” Fratiano, Salvatore Spatola. Sentados estão Joseph Gambino e Richard “Nerves” Fusco. Todos – com exceção de Frank – eram mafiosos.

Destaque especial para Don Gambino, quinto em pé da esquerda para direita, que é considerado por muitos, um dos mafiosos mais famosos da história.

Alguns anos antes disso, na década de 20, o jovem Francis Albert Sinatra crescia no estado de Nova Jersey. Filho de imigrantes italianos, 0 cantor cresceu nos anos da proibição do álcool e da depressão norte-americana: a combinação que deu origem aos anos dourados da Máfia Italiana. Nascendo onde nasceu, era impossível que Frank não tivesse algum contato com o crime organizado.

Para “ajudar”, o pai de Sinatra, Marty, tinha um bar ilegal que era frequentado por grandes nomes da máfia como Meyer Lansky, Bugsy Siegel, Dutch Schultz e Lucky Luciano, todos nascidos no mesmo vilarejo Siciliano que o avô de Frank. Para conseguir  bebida para o bar, o progenitor de Frank fazia pequenos serviços de entrega para os mafiosos. Dominick Garaventa e Lawrence Garaventa, tios de Sinatra, também tinham laços com a Máfia Italiana e ambos foram presos após participarem de um tiroteio.

Criado entre mafiosos, o jovem Sinatra praticou diversos pequenos furtos e acabou sendo expulso da escola antes de terminar o segundo grau. No meio de sua conturbada juventude, ele conheceu o trabalho de Nat King Cole, em um clube da Rua 52, em Nova York, e pegou gosto pelo Jazz.

Logo, mostrou que tinha talento para a música. Faltava apenas uma ajuda para divulgar seu trabalho. Quem deu essa força foi a Mafia.

Os mafiosos ajudaram a Frank Sinatra conseguir seu primeiro emprego como cantor no Rustic Cabin, uma boate clandestina onde homens casados iam para se encontrar com prostitutas ou suas amantes. Após provar ser um músico talentoso, os mafiosos Willie Moretti e Frank Costello conseguiram arrumar algumas apresentações para o cantor na década de 30.

Essas informações foram confirmadas não só por Sinatra, mas também por uma série de documentos do FBI sobre ele. Aliás, estes merecem um destaque. Ao longo dos anos, as amizades de Sinatra, chamaram a atenção de J. Edgar Hoover, chefão do FBI que pediu para seus agentes começaram a investigar as relações de Frank com possíveis criminosos.

O resultado disso foi um relatório com mais de 2400 páginas que só veio a público na última década e que desfaz de vez a aparência de bom moço que Frank passava ao público.

“Eu fiz do meu jeito”

Em 1942, Sinatra decidiu abandonar a banda de Tommy Dorsey, com quem cantou por dois anos. Acabou assinando um contrato onde repassaria parte dos seus lucros de sua carreira solo ao maestro. Quando sua fama decolou, Frank se arrependeu do contrato. Bastou uma visita dos amigos italianos para que ninguém devesse mais nada a ninguém.

Rumores apontam que dois gangsters famosos – Joe Fischetti e Sam Giancana, que viria a ser o manda-chuva do crime organizado em Chicago – haviam sido designados para cuidar da carreira e dos interesses do artista.

Em troca dos favores que recebia, o cantor fazia shows em cassinos e casa noturnas de mafiosos. Algumas vezes, viajava até para fora do país para se encontrar com os criminosos. A mais notória dessas visitas foi uma vez que foi visitar Lucky Luciano – que havia sido exilado dos EUA – em Cuba, durante um evento que reuniu boa parte da nata da máfia da época.

Outro momento infame foi relatado pelo comediante Jerry Lewis (foto acima), que era grande amigo do cantor na época. Segundo ele, Sinatra também transportou dinheiro para mafiosos em diversas ocasiões.

Uma vez, ao chegar no aeroporto de Nova York, ele foi parado na alfândega carregando uma mala com 3 milhões de dólares. Só escapou porque uma multidão se acumulou ao seu redor e o fiscal acabou desistindo de fazer uma revista.

O mais perto que Sinatra chegou de se dar mal por sua amizades foi quando um comitê do Senado norte-americano o convocou para prestar depoimento sobre suas amizades perigosas. Apesar de diversas fotos mostrado o cantor ao lado de chefões do crime nas mais diversas ocasiões – piscinas, bares, dentro de boates cercados de mulheres – Frank negou ter qualquer relação mais íntima com os malfeitores e alegou que todas as provas eram apenas uma série de coincidências.

Vale destacar também que, em mais de uma ocasião, o cantor ajudou os mais diversos políticos a arrecadarem fundos para sua eleições.  Rumores indicam que esta era a fórmula da máfia para criar laços mais estreitos com os homens de Washington, mas talvez nunca saberemos se isso ou verdade ou não.

O que podemos dizer é que a história de Sinatra é um dos poucos casos onde a realidade consegue ser mais fantástica do que a ficção. Mario Puzzo e Johnny Fontane são fichinha comparada com a as ligações perigosos que Frank realmente tinha com a máfia.

Fontes:

  1. The mobster Frank Sinatra most admired was slaughtered – his head blown apart by a bullet: The singer’s dangerous flirtation with the Mafia
  2. The Crazy Story Of Frank Sinatra Playing A Club For A Week Straight Because Chicago’s Mob Boss Was Mad At JFK
  3. Biografia de Frank Sinatra associa cantor à máfia
  4. Sinatra and the Mob
  5. Chicago mob boss had Sinatra singing
  6. O cantor que sabia demais
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