A estranha (e bizarra) pornografia japonesa [+18]

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Há muito tempo eu me pergunto, porque a pornografia japonesa é tão bizarra.

Não estou aqui para cagar regra e traçar o padrão do que deveria ser socialmente aceito entre quatro paredes. Com consentimento de ambas as partes, tudo é permitido.

Mas, não só eu, como muitas pessoas acham estranho desenvolver toda uma indústria pornô em cima de fetiches sexuais como transas forçadas, apelo infantil excessivo, humilhações sexuais, chute nas bolas, censura a órgãos sexuais, sexo com polvo e afins.

É sobre estes gostos peculiares, tão diferentes em relação ao ocidente, que eu quero falar. Mas para isso, vamos tentar entender como tudo começou.

Origem da indústria pornográfica japonesa

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Tudo começou no século 19, com os ‘shunga’, que era a arte pornográfica. Uma maneira bonita para retratar em livros, esculturas ou pinturas gente pelada transando. Em alguns, rolava sexo com ‘inccubus (homem demônio), ou succubus (mulher demônio), animais e não-japoneses. Nesta época, polvos já eram usados para satisfazer mulheres em gravuras.

No começo do século 20, o governo baniu a cultura do shunga e fez desaparecer por completo no país.

No pós-Segunda Guerra, a influência da cultura americana trouxe de volta a produção de revistas pornográficas e o interesse pelo Yomono (as coisas ocidentais). Nos anos 60, vários estúdios começaram a produzir os ‘pink films’, ou filmes adultos.

Ascensão nos anos 80

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O estouro da indústria pornô japonesa aconteceu graças ao VHS, que permitiu com que muito material (amadores e produções independentes) fosse gravado.

Os vídeos eram mais curtos em comparação aos reproduzidos nos cinemas adultos profissionais, então por isso ganharam o nome de AV Movies, sendo AV uma sigla para Adult Video-image. As locadoras botavam os filmes caseiros para aluguel a um preço muito mais baixo que os cinemas adultos.

Além de filmes, muitos jogos pornôs foram criados para videogame (Atari 2600 e o Nintendinho Japonês) e computadores. Os hentais logo ganharam força nos anos 80, com HQs com conteúdo erótico adulto. Grande parte da produção era feita de maneira independente, a baixo custo.

Censura

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O primeiro problema veio nos anos 90. Como as produções adultas (vídeos, HQs e revistas) tinha participação de adolescentes (Idols), o governo criou uma lei para banir a pornografia. Após grande briga judicial, a lei foi amenizada em 2004 sob duas condições: não usassem menores em filmagens e cobrissem a genitália dos atores participantes, para preservar a intimidade (o uso dos mosaicos).

Por isso, pouco se vê dos filmes japoneses que mostram os órgãos sexuais dos atores. Existe até japoneses hackers especialistas em tirar o mosaico e vender o material para o ocidente.

O mercado atual japonês funciona da mesma maneira que antigamente. Existem produções profissionais, mas a grande maioria é feita de forma amadora e independente. O mercado é fechado e atores estrangeiros são uma exceção. Tanto que as japonesas que fazem sucesso acabam trabalhando para a industria pornô americana, como Asa Akira.

As atrizes mais famosas são Maria Ozawa, Sora Aoi, Saori Hara, Yuna Shiina e Julia. Ao contrário do resto do mundo, além de fazerem filmes adultos, muitas delas também participam do cinema convencional.

Categorias alguns gêneros da pornografia japonesa

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Bukkake: é uma prática sexual de origem japonesa. A tradução literal é “espirrar água”, mas significa um gênero onde o homem ejacula no rosto da mulher. Foi erroneamente sugerido como oriundo de uma prática medieval japonesa onde se castigava uma mulher adúltera, previamente amarrada e ajoelhada sobre uma esteira, sendo submetida à ejaculação de vários homens.

Tornou-se um fetiche no final da década de 1990, com várias produções ocidentais dedicadas ao gênero. Bukkake é encenada com uma pessoa se postando de joelhos e aguardando que vários homens em pé se masturbem e ejaculem sobre o seu rosto.

Gokkun: uma variação do bukkake, mas se refere ao ato de beber esperma. Ao invés de ejacular no rosto da mulher, o homem goza em um recipiente e ela toma.

Pink Film: em seu sentido mais amplo, inclui quase qualquer filme japonês teatral que inclui nudez ou sexo. Este engloba tudo, desde dramas a thrillers de ação. Praticamente uma Emmanuelle ou Sexy Time da TV.

Lolicon: abreviação para Lolita complexa. É a atração por meninas pré-adolescentes ou jovens. O gênero é explorado em filmes, mangás ou revistas.

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Shotacon: é um termo onde um adulto homem ou mulher sente-se atraído por um garoto mais novo e vice-versa. No mundo ocidental, este termo é usado para referir-se especificamente ao anime ou mangá que mostra garotos na puberdade ou na pré-puberdade ao lado de personagens mais velhos que tenham atração por crianças.

Esses trabalhos são, frequentemente, de natureza sexual, e temas como incesto com um irmão mais velho ou outro membro familiar está presente.

Kinbaku: é a palavra japonesa para “bondage”. É um estilo japonês de amarração sexual ou BDSM que envolve desde técnicas simples até as mais complicadas de nós.

Temakeri: é o gênero sadomasoquista em que as mulheres chutam, pisam ou apertam os órgãos masculinos. Foi bastante explorado no ocidente posteriormente.

Futanari: é a palavra japonesa para hermafroditismo, que também é usado em um sentido mais amplo para a androginia (personagens com dois sexos). O termo é usado para descrever gênero pornográfico de jogos, vídeos, quadrinhos e anime, que inclui personagens com ambas características sexuais.

Para burlar a censura, alguns produtores fazem isso com mulheres (ou personagens femininos) usando pênis de borracha. Assim, não são obrigadas a usar o mosaico no consolo.

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Bara: é um termo japonês para o gênero de arte e mídia de ficção com o foco o sexo, amor e desejo com o tema homoerotismo, normalmente criado por e para homens gays.

Yuri: também conhecido em wasei-eigo Girls’ Love, é um gênero de mangá e anime que descreve relações românticas entre mulheres.

O termo Yuri também é conhecido pelo termo shoujo-ai, que é um termo usado para conteúdo mais leve sem nada explícito ou pornográfico. Porém, há também o termo yuri orange, que é usado para descrever um conteúdo que a cenas explícitas e pornográficas, referente ao amor de duas garotas.

Lotion Play: como a prostituição no Japão é proibida por lei, casas de massagem erótica foram criadas, onde mulheres e homens masturbavam os clientes usando óleos e cremes. Ganhou tanta fama que virou um gênero na pornografia o sexo com uso excessivo de óleos e cremes, até itens não convencionais, como chocolate e chantilly.

Pedofilia e pornografia infantil

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Existe um gênero que atrai muitos fãs no Japão que são as Idols. São pessoas vestidas de maneira adolescente ou infantil. Quando são realmente menores de idade, são chamadas de Junior Idols.

Algumas dessas chegam a fazer ensaios sensuais para revistas e filmes. Como a legislação anti-pornografia infantil de 2004 (após pressão das Nações Unidas e órgãos internacionais) proíbe somente a relação sexual e ao ato de tocar órgãos genitais, proporcionou uma brecha para exibição erótica das menores.

Em 2007, A Amazon foi obrigada a retirar 600 títulos Junior Idols de seu catálogo. Em alguns casos, pessoas que compraram mangás lolicon pegaram 20 anos de cadeia nos EUA.

Apesar das leis, o sexo com menores ainda hoje é explorado pelos japoneses, ainda que clandestinamente.

Sexo forçado

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Fruto do machismo enraizado no Japão, a maioria das produções pornôs do país se concentra em uma ideia geral: a mulher sendo forçada a fazer sexo sem consentimento. Um eufemismo para estupro.

Sem entrar no mérito cultural, estamos em pleno 2015, e já passou do momento de coibir essa obsessão por retratar adolescentes frágeis, sendo violentadas por um grupo de caras, praticando um sexo doloroso e humilhante.

Admito um certo estranhamento em ver que, uma sociedade tecnologicamente tão evoluída, que considera o órgão genital como obsceno demais para aparecer no vídeo, mas permitir que o sexo sem consentimento seja explorado como símbolo máximo da sua indústria pornô.

Fonte: Papo de Homem, The Straight Dope

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