Barbear: entre mitos e a realidade

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Barbear-se não é apenas cortar os pelos faciais. É muito mais que isso: é um ritual de masculinidade que separa, literalmente, os homens crescidos dos infantes.

Nós, ocidentais, crescidos numa sociedade moderna e secularizada, olhamos com estranheza certos rituais de afirmação. Pouco importa se é um civilizado Bar Mitzvá ou o enfiar brutal das mãos numa luva encharcada com formigas tucandeiras. Algo nos parece deslocado, menos aquilo que nos é comum — e nada nos é mais banal que o ato de barbear-se.

E isso deve significar algo para nós, na medida em que fazer a barba não é tão obvio em diversas outras culturas.

Porém, se antigamente os homens dedicavam parte do seu dia a ele — entre amolar sua navalha, esquentar a água, amolecer o pincel de barba e perder-se naquele momento enquanto espumava lentamente o sabonete —, hoje o barbear tornou-se mais pragmático.

Não é mais um momento significativo do dia, senão uma etapa, o meio de campo de um jogo frenético que não raras vezes já perdemos as rédeas. Simplificamos e perdemos a essência. Mas nem tudo está perdido.

Nem tudo é o que aparenta ser

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Se você for homem, em algum momento da sua vida você se questionou— barba: tê-las ou não?

Mas diferentemente das questões científicas, onde a certeza e o método são quase sempre certeiros e infalíveis, os terrenos aqui são outros: podem ser estéticos, culturais ou, simplesmente, de paixão.

Esqueça conversas do tipo: toda mulher ama barba, todo barbudo é um macho-alfa, barba é coisa de mendigo, pelos são sujos. Esse é um círculo vicioso, e a última coisa que você vai querer é ficar preso nesse labirinto. Então não entre nele.

Basta fazer uma breve pesquisa nesse site para percebermos que as opiniões — entre homens e mulheres — são tão diversas podem paralisar o “beard wannabe”. Então faça como o Apóstolo: fazei de tudo e ficai com o melhor. Tente, experimente, reinvente.

O importante, sempre, é a autenticidade. É fazer com que haja coincidência entre a percepção interna que você tem de si próprio com a imagem que você transmite ao mundo.

O barbear antigo: entre mitos e lendas, a realidade.

BARBEAR

A navalha habita o imaginário coletivo como sinônimo de periculosidade, cortes profundos e incicatrizáveis. Mas se há certa verdade nessas afirmações (e digo: sim, as há), o número de equívocos não deixa de ser menor.

E o motivo é simples, contextual: esquecemos, em algum momento da nossa história, nossas habilidades manuais. Esquecemos a prática, nem sempre simples e óbvia, trocando-a pela comodidade, o fazer pelo comprar. Mais do que isso, somos forçados a tanto.

Não me refiro, necessariamente, àquelas atividades rústicas como caçar o próprio almoço e outros símbolos máximos de alguma masculinidade que nos surge já distante. Mas falo de tarefas simples e ao nosso alcance como substituir a resistência queimada do chuveiro, trocar o pneu, usar a chave de fenda ou cumprimentar com um aperto de mão firme e viril.

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Como já não sabemos direito o que é ser homem — muito menos o que o faz —, perdemos tempo tentando sair de clichês lamacentos e escorregadios. Aquele que nunca se viu numa discussão que contrapunha cavalheirismo e machismo, masculinidade e grosseria que atire a primeira pedra.

Prudência, fortaleza, justiça e temperança. Alguém as conhece para além do senso comum?

Esses são hábitos — ou virtudes— que fomos perdemos aos poucos. Mas se o Primeiro Ministro inglês Winston Churchill tinha razão em dizer que primeiro criamos os hábitos para que depois eles nos moldem, nada mais acertado que revivermos certos valores e posturas através daquilo que habita nosso cotidiano.

E o barbear à moda antiga pode ajudar nisso.

O que a História pode nos ensinar?

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À exceção dos povos antigos, onde o barbear era feito com o auxílio de lâminas de bronze ou obsidiana, os homens modernos dispõem de quatro instrumentos para isso:

  • a navalha com lâmina fixa;
  • o navalhete com lâmina substituível, comumente encontrado em barbearias por razões sanitárias;
  • o barbeador de segurança (aquele na forma T) e, finalmente,
  • o barbeador com laminas paralelas, duas, três ou quatro.

Não se preocupe. Não importa como você faz sua barba, se com a navalha herdada do avô ou com uma lâmina descartável no banheiro da casa da namorada. O que importa é FAZER a barba.

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A pressa e certa agilidade são modernas, mas o foco e a concentração são atemporais. O barbear antigo não liga tanto para o instrumento, mas com a maneira como você a faz. O barbear antigo é ato e contemplação. É relacionamento e percepção.

É sentir as sutilezas e as nuances. É viver o momento e meditar sobre ele. Porque entender a si próprio é o primeiro passo para querer entender tudo o mais. E sim: a qualidade dos grandes resultados está implícita na qualidade com que as coisas menores são feitas.

Porque, conforme dito, barbear-se é muito mais que simplesmente cortar a barba.

O que ter e o que usar para um bom barbear?

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Navalhas são caras e, além de demandarem certa experiência e cuidado, não são vendidas em qualquer lugar. No Brasil elas costumam ser encontradas em mercados de pulga com certa facilidade. Mas tenha em mente alguns cuidados.

Não compre navalhas enferrujadas, com as talas frouxas ou dentes no corte.

Isso porque a ferrugem dificilmente sai e os pontos enferrujados acumulam inúmeras bactérias. Talas frouxas idem. Dentes no corte retalham sua cara. Esqueça.

Tenha sempre em primeiro lugar sua segurança e higiene. E não se preocupe; as navalhas ainda são normalmente fabricadas mundo afora e há inúmeros sites gringos especializados na sua venda.

Barbeadores de segurança são mais utilitários, simples e práticos, mas nem sempre encontramos suas lâminas quando queremos. Além de serem mais acessíveis e descartáveis, são mais seguros que a navalha. São o primo mais velho dos barbeadores contemporâneos.

Então não complique. Use o que você tem. Mas alguns outros utensílios podem ajudar muito, e que quase sempre negligenciamos. São eles: pincel, caneca, um bom creme ou sabonete próprio.

 Texto escrito por Gvilherme Diniz. Amante das coisas simples e boas da vida. Não dispensa um Dry Martini. Uma alma analógica num mundo digital.

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