Lampard, o ‘Super Frankie’ do cachecol

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Nunca gostei de Frank Lampard. Na verdade, para ser mais exato, sempre o admirei como jogador, mas como fã do Arsenal me vi obrigado a secá-lo todas as vezes em que os Gunners enfrentaram o Chelsea. E lá estava o camisa 8, regendo o conjunto azul com seu poder de liderança, suas assistências e seus gols. Foram

211 em 13 temporadas defendendo o clube, número acima da média para um meio-campista. Impossível não admirá-lo, independentemente da torcida.

Pois bem. No ano passado, em abril, tive a felicidade de conhecer a cidade de Londres. Como manda a cartilha do bom e doente apaixonado por futebol, logo que cheguei na capital inglesa fui dar uma volta nos arredores do hotel para conhecer a região onde eu estaria hospedado pelos próximos seis dias. Caminhava pela King’s Road, no bairro de Chelsea, avenida que um dia foi o centro da moda londrina, e via pessoas com camisas azuis andando na minha direção. Sabendo que os Blues jogavam naquele domingo, logo pensei: “É isso. O Stamford Bridge é logo ali!”.

Andava, andava, andava e nada do estádio chegar. Camisas azuis da equipe seguiam vindo ao meu encontro, carros passavam, ônibus vermelhos de dois andares cruzavam as ruas do bairro… Até que uma casa me chamou a atenção. Era uma casa branca, na qual estava armada uma barraca do lado de fora com uma série de camisetas e outros adereços azuis e brancos. Eram do Chelsea. Mas só vi à “distância”, do outro lado da rua. Distância entre aspas porque a rua era minúscula (afinal, Londres!). Estava com mais vontade de ver o estádio do que qualquer outra coisa e atravessei a pequena ponte a poucos passos da tal casa branca com barraca.

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Enfim, o Stamford Bridge. Visto por fora, mais parece um shopping ou um complexo de lojas do que propriamente um estádio de um grande clube de futebol. O entorno da casa do Chelsea ainda respirava o ar de uma vitória por 2 a 1 sobre o Sunderland, com torcedores no aguardo da saída dos carros de seus ídolos. Lembro-me de um Aston Martin com um atleta dando autógrafos de dentro do veículo para algumas crianças. Acho que era o Bertrand, lateral-esquerdo. Ainda esperei um pouco para ver se pintava algum craque de verdade, mas sem sucesso. Tive de me contentar com uma volta ao redor do Stamford Bridge, com todas as lojas já fechadas e se despedindo dos últimos torcedores que ainda circulavam pela área. Foi muito bacana conhecer, mesmo que sem entrar. Hora de voltar para o hotel.

Só que desta vez, voltarei pela outra calçada e serei, portanto, obrigado a dar de cara com a casa branca da barraca. Eram inúmeros os produtos. Camisetas, chaveiros, casacos, gorros, canetas. E cachecóis. Faço coleção de cachecóis (ou “bufandas, como queira) de futebol. E essa oportunidade eu não poderia desperdiçar. Vários modelos, com listras azuis e brancas, escritos de apoio ao time… Todos fantásticos. Mas um me chamou a atenção. “Super Frankie Lampard 8”, com a sombra do rosto do meia na cor branca, estampado no fundo azul. Será que depois de ter secado tanto, de ter desejado que inúmeros escanteios, faltas e pênaltis dessem errado, eu iria comprar um cachecol justamente do Lampard?

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Claro que sim. Obviamente. Os outros eram “comuns”. Chelsea, listras, textos… Qualquer um que visitasse Londres poderia ter e trazer na mala. E poderia inclusive comprar há quilômetros dali, em uma loja da Adidas talvez, sem nenhum significado especial ou proximidade com a casa dos Blues. Mas o que faria diferença para a minha coleção, de fato, seria o do Super Frankie. Sempre que mostro meus cachecóis para amigos, apresento esse de maneira especial. É o único que eu tenho em homenagem a um jogador – há um do Maradona, mas ele não é humano, e sim Dios.

Ontem, dia 2 de junho de 2014, Lampard se despediu do Chelsea. Deixou uma grande história pra trás. Uma história muito mais legal e importante do que essa que contei nesse texto. Contudo, de alguma forma, eu me sinto parte do significado que Lampard teve para o clube e seus torcedores. Justo eu, que tanto sequei, comprei um produto com o rosto dele. Fiz isso porque ele é diferente, porque é alguém que merece as homenagens e a reverência até daqueles que não o conhecem direito, como eu. É o Super Frankie, o homem do cachecol. Do Chelsea e da minha coleção.

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