7 lições de vida com os lutadores brasileiros no UFC

Confira o que os nossos campeões das artes marciais mistas têm a ensinar

Criatividade, técnica apurada e uma disposição de guerreiro. Estes são as principais características dos lutadores brasileiros do UFC. Pegando emprestado um pouco do improviso do futebol, as artes marciais mistas permitem que o lutador saiba se moldar de acordo com a situação e adversidade. Ou seja, a cara da nossa cultura.

Mas, engana-se os que pensam que o esporte é feito só de brucutus, socos e pontapés. Para chegar ao topo, ser um campeão ou mesmo atrair uma multidão de fãs, é preciso muito mais do que uma mão pesada e reflexos rápidos. Além disso, nossos atletas do octogonal oferecem uma trajetória de vida riquíssima e tem, e muito, a ensinar para a gente.

Você duvida? Confira uma seleção com as lições de vida que aprendi com os principais lutadores brasileiros no UFC. 

1# Júnior Cigano

Junior Cigano 7 lições de vida com os principais lutadores do UFC do Brasil
“Não espere a oportunidade chegar. Vá atrás dela!”

Conquista: campeão dos pesos-pesados do UFC

Filho de uma faxineira e um mecânico industrial, até os 21 anos, Júnior dos Santos Almeida nunca havia vestido um quimono ou calçado uma luva de boxe. Isso só aconteceu depois da primeira edição do Minotauro Fight, evento de lutas que os irmãos Nogueiras promoveram em Salvador (2005).

Começou trabalhando como lavador de pratos por R$ 250 por mês, 12 horas por dia. Como garçom de outro restaurante, conheceu sua futura esposa, a arquiteta Vilsana Piccoli, que permitiria dar uma guinada em sua vida.

Decidiu fazer jiu-jitsu para perder peso, mas como aprendia rápido e era grande, logo se destacou. Escolheu largar o emprego para se dedicar aos treinos full time, sendo sustentado pela mulher por meses. Foi indicado até o treinador Luiz Dórea (o mesmo de Popó) e se transformou em campeão brasileiro de kickboxing em 2007.

Estreou no MMA em um pequeno evento em Salvador, ganhou com um chute na cabeça e levou mil reais (ou quatro meses de trabalho no restaurante). Foi lutar na segunda edição do Minotauro Fight, apenas um ano e meio depois do que ele foi assistir, e foi apadrinhado pelos irmãos Nogueira. Entrou posteriormente no UFC e se tornou campeão dos pesos pesados.

2# Wanderlei Silva

Wanderlei Silva 7 lições de vida com os principais lutadores do UFC do Brasil
“A base do sucesso é uma só: o suor. Tem que chegar lá e suar a camisa, correr atrás do seu sonho”.
Conquista:
campeão do Pride

Entrou nas artes marciais porque se achava baixinho e gordinho. No Japão virou ídolo e, embora não tenha uma carreira tão vitoriosa no UFC, é respeitado e admirado pelos lutadores de MMA. Entre seus feitos, está o de vencer Sakuraba, até então carrasco de brasileiros (este ficou conhecido nos anos 90 como o matador de Gracie).

Ex-campeão do Pride e ídolo máximo no Japão, Wanderlei Silva ganhou o carisma do público com seu estilo sincero, explosivo e falastrão de ser.  Mesmo quando perde, seus combates são memoráveis. Em seu cartel – contando o pride, vale-tudo e MMA, ele tem 47 lutas, 34 vitórias e 11 derrotas.

Ele é considerado o maior lutador do Pride de todos os tempos, um dos maiores atletas da história do MMA além de ser o maior recordista de lutas, vitorias (21, sendo 18 consecutivas) e nocautes do Pride (17). Mesmo sem uma técnica refinada, ganha fãs pelo espírito guerreiro de suas lutas.

Devido as suas incríveis exibições no Pride, sempre fria e agressiva, Wanderlei Silva ganhou um apelido em suas lutas: The Axe Murderer, que ignifica O Assassino do Machado. Por aqui, o apelhido que pegou mesmo foi o de Cachorro Louco.

3# Anderson Silva

7 lições de vida com os principais lutadores do UFC do Brasil
“Seja como a água que abre caminho através das pedras: não se oponha ao obstáculo; contorne-o”.

Conquista: Campeão do peso médio do UFC

Um dos mais lendários lutadores do UFC e mais completos, Anderson Silva começou a treinar Taekwondo com 5 anos e tornou-se faixa preta aos 18. Transformou-se também em mestre em Muay Thai. Estreou no mundo das lutas no Shooto e ganhou seu primeiro cinturão por lá. Disputou o Pride, onde obteve duas vitórias e uma derrota. Saiu de maneira conturbada do evento japonês e, sem grana, pensou em abandonar o esporte. Até que Minotauro chamou para trabalhar em sua academia e bancou sua volta ao UFC.

Apesar de suas duas derrotas para Weidman e perda do cinturão, Anderson conquistou 17 vitórias seguidas e 10 defesas de título consecutivas. É, até hoje, o dono da maior sequência de vitórias e de títulos de defesa na história do UFC. Ele é considerado o melhor lutador da história pelo presidente do UFC, Dana White, e já venceu grandes nomes do MMA como Vítor Belfort, Stephan Bonnar, Dan Henderson, Forrest Griffin, Chael Sonnen, Nate Marquardt, Rich Franklin e Patrick Côté.

Anderson Silva ainda estreou o filme Como Água, que mostra o treinamento dele para enfrentar o lutador Chael Sonnen. O longa é inspirado em uma citação famosa de Bruce Lee, ídolo de Anderson, de que um artista marcial deve ser “como água” – sem forma, facilmente adaptável a qualquer ambiente.

Anderson sempre soube se moldar de acordo com a situação e diante das adversidades. Em mais um momento de recuperação no esporte, esta é a melhor definição para o modo como o Spider atua dentro e fora do octogonal.

4# Minotauro

Minotauro 7 lições de vida com os principais lutadores do UFC do Brasil
“Não se trata do quanto você bate, mas do quanto consegue apanhar e continuar de pé”
Conquista:
Campeão dos pesos pesados do UFC e Pride

Se pudessem transportar a história do personagem Rocky Balboa para a vida real, não teria melhor pessoa para caracterizá-lo do que Antônio Rogério Nogueira. É impossível ficar indiferente ao lutador depois de conhecer sua vida e as tragédias pelas quais passou.

Aos onze anos sofreu um grave acidente ao ser atropelado por um caminhão, ficando quatro dias em coma e um ano internado. Ficou com uma cicatriz (na forma de um buraco) nas costas que o acompanha até hoje. Por causa de uma briga na adolescência, Minotauro também tem um defeito no olho esquerdo, que limitou sua visão periférica a 10% da sua capacidade normal. Isso quer dizer que ele enxerga a mão do adversário apenas quando ela está muito próxima de atingi-lo, tornando ainda mais espetacular sua trajetória.

Foi protagonista da luta mais espetacular da história do MMA, a sua vitória épica sobre o “gigante” Bob Sapp, de 1,91 metro e 171 quilos (na época Minotauro tinha 105 quilos). Nenhum outro combate tem o espírito da série Rocky como este. Na luta, sofreu muitos golpes potentes (incluindo o bate-estaca) mas conseguiu finalizar o oponente no segundo assalto, aplicando um arm-lock (chave-de-braço) em Sapp. Até hoje, este combate é apresentado em academias para mostrar como a técnica de chão pode superar a força.

Foi campeão interino do UFC, tornando-se o primeiro pesado da história a conquistar o cinturão do Ultimate e do PRIDE. Em 2009, no UFC 102, Rodrigo Minotauro enfrentou Randy Couture. Em outro combate histórico do MMA, Nogueira venceu o adversário por decisão unânime, depois de três rounds de cinco minutos, nos quais Minotauro conseguiu dois knockdowns sobre Randy.

Minotauro é considerado o maior finalizador da história do MMA, e está na lista dos maiores lutadores de todos os tempos. Além de seu forte jogo de chão, ele sempre se destacou por ser um dos lutadores mais duros da História, muitos acreditam que seu queixo é de “pedra”, pois tem um grande poder de absorção de golpes, o maior responsável por seus títulos.

Minotauro não se tornou ídolo somente pelas vitórias, mas pela incrível capacidade de manter-se em pé e agressivo, mesmo apanhando.

5# Lyoto Machida

Lyoto Machida 7 lições de vida com os principais lutadores do UFC do Brasil
“A adversidade pode ser vencida através da persistência. Se você desistir, você perdeu”.
Conquista:
campeão Meio-Pesado UFC

Baiano criado no Belém, Lyoto Machida é filho do mestre em Karatê Yoshizo Machida. Aos três anos de idade Iniciou seus treinamentos com seu pai, que adaptou o estilo do Karatê Shotokan criando uma metodologia de treino, hoje apelidada de Karate Machida.

Aos 13 anos, Lyoto se tornou faixa preta. Também começou a treinar sumô aos 12 anos e a arte marcial brasileira Brazilian Jiu-Jitsu aos 15 anos. Ganhou um número de torneios amadores de Karatê, incluindo o torneio de Karatê Pan-Americano de 2001.

É um ex-campeão dos meio-pesados do UFC e, desde Quinton Jackson. Lyoto esteve invicto no MMA até a segunda luta com Maurício Shogun Rua e detinha o melhor cartel de qualquer lutador atuando profissionalmente, com 16 vitórias e nenhuma derrota.

Lyoto possui notáveis vitórias sobre diversos atletas respeitados no esporte: Stephan Bonnar, Thiago Silva, Ryan Bader, Tito Ortiz, Rich Franklin, BJ Penn, Rashad Evans, Maurício Rua, Gegard Mousasi, Dan Henderson e Randy Couture. O vídeo acima contém vários ensinamentos de Lyoto Machida que você pode levar para a vida.

6# José Aldo

José aldo 7 lições de vida com os principais lutadores do UFC do Brasil
“Para você ser um vencedor, tanto na vida quanto no esporte, você sempre tem que ter seus objetivos e correr atrás de seus sonhos. Isso que motiva você viver e levantar todo dia”.
Conquista:
Campeão peso pena

Aldo deixou Manaus ainda jovem em busca do sonho de tentar a carreira no jiu-jitsu no Rio de Janeiro. Sem dinheiro e com muitos obstáculos, dormia na mesma academia em que treinava ou na favela, na casa de um conhecido, e dependia da ajuda dos companheiros para não passar fome.

Foi acolhido na casa da também lutadora Viviane, que mais tarde se tornou sua esposa. Eles começaram a namorar e após alguns anos, Júnior a pediu em casamento no ringue, depois que venceu sua luta.

A primeira correspondência recebida por sua mãe foi um cartão postal com uma concha do mar. Ver o mar era um sonho de José Aldo desde que era criança, sonho que sua mãe pensava ser impossível devido à grande distância entre Manaus e o oceano. Este cartão representou a primeira de uma longa lista de conquistas em sua vida.

Aos poucos, Aldo passou a se destacar dentro da academia Nova União até virar o principal campeão dos pesos mais leves do UFC, com sete defesas de título. Seu diferencial está em uma mistura muito bem elaborada de jiu-jítsu com muay thai. Em seu combate mais rápido, Júnior apagou o adversário em apenas 8 segundos, com uma joelhada voadora dupla no rosto do adversário.

Aldo já defendeu seu cinturão por sete vezes. Seu objetivo não é só ser o campeão, mas sim o melhor do UFC.

7# Vitor Belfort

Vitor Belfort 7 lições de vida com os principais lutadores do UFC do Brasil
“Os sentimentos têm que ser controlados porque o medo em excesso se torna temor e te paralisa, mas, se você não tiver medo, torna-se um inconsequente”
Conquista
: Campeão do peso pesado e do meio pesado do UFC

A carreira de Belfort no MMA aconteceu de maneira meteórica. Com apenas 19 anos, o prodígio impressionava nos Estados Unidos pelo alto grau de explosão de seus golpes. Sua primeira luta profissional durou apenas 12 segundos, onde venceu o sujo lutador Jon Hess (96). Foi competir no UFC, onde ganhou o apelido de “The Phenom”. Belfort tornou-se o mais jovem lutador da história a vencer no UFC.

Em 1997, Belfort lutou contra o wrestler americano Randy Couture. Foi sua primeira derrota no mundo do MMA. Após esta derrota, ele lutou mais duas vezes no UFC. A primeira foi contra Joe Charles, que foi derrotado rapidamente através de armlock.

Um ano mais tarde, Belfort enfrentou o futuro campeão dos médios do Pride, Wanderlei Silva. Partiu para cima de Silva rapidamente com um cruzado de esquerda, em seguida o perseguiu por todo o octógono com uma enxurrada de socos, e Wanderlei foi nocauteado em apenas 44 segundos, em São Paulo.

Em mais de 15 anos de carreira, o atleta carioca alternou diversas fases profissionais, que variaram de títulos mundiais e combates históricos até contusões graves, doping e intensos problemas familiares. Em seu cartel vitórias sobre nomes importantes do MMA mundial como Randy Couture, Rich Franklin , Heath Herring , Michael Bisping, Luke Rockhold, Gilbert Yvel, Tank Abbott, Dan Henderson e Wanderlei Silva.

Para saber mais: Livro Filho Teu não Foge à Luta, de Felipe Awi

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