Um em cada 3 brasileiros acredita que a mulher é culpada em casos de estupro, aponta Datafolha

Os dados assustam, mas eles representam a sociedade brasileira. Enquanto as mulheres sentem medo, quase metade dos homens entrevistados pelo Datafolha acreditam que elas aceitaram o risco simplesmente por causa da roupa que vestem ou do seu comportamento.

A pesquisa, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segunça Pública (FBSP), foi divulgada na última quarta-feira (21) e, segundo o levantamento, 33,3% da população brasileira acha que a vítima é culpada.

Entre os homens, a taxa sobe para 42%. Eles dizem que: “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas” e essa afirmação, para eles, se baseia na roupa que elas usam.

Em paralelo, 65% dos brasileiros têm medo de sofrer alguma violência sexual e, entre as mulheres, a taxa aumenta para 85%. Esse medo inclusive é intensificado em diferentes regiões do país: no Noderste, as mulheres que têm medo de abuso sexual são 90% das entrevistadas.

O Datafolha entrevistou, entre os dias 1o e 5 de agosto, 3.625 pessoas de 217 cidades brasileiras. A margem de erro, divulgada pelo instituto, é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Porém, a idade dos entrevistados parece impactar as respostas. No recorte realizado pelo Datafolha, os brasileiros com 60 anos ou mais são os que mais culpam a vítima: 44% dos idosos alegam, ainda, que a mulher que usa roupa curta não pode reclamar do estupro. A porcentagem dos jovens entre 16 e 34 anos que concordam com isso é de 23%.

Outro fator analisado pela pesquisa é o nível educacional dos entrevistados. Quase metade dos brasileiros (47%) que cursaram apenas o ensino fundamental enxergam as vítimas como responsáveis. Entre os entrevistados com ensino superior, a taxa não chega aos 20%.

A opinião dos entrevistados sobre a influência da roupa no crime do estupro demonstra a ignorância da população sobre o tema. Em junho deste ano, foi divulgado o índice que aponta o crescimento dos estupros de meninas menores de dez anos: os casos notificados aumentaram em 77,5% em quatro anos.

Esse percentual, aliás, pode ser bem maior, tendo em vista que muitos casos não são registrados por medo, vergonha, ou controle de terceiros sobre a vítima.

Em 2015, 17.871 mulheres de todas as idades foram atendidas na rede de saúde após serem estupradas. Para piorar, mais da metade destes casos (57,88%) ocorreu dentro de casa.

Dados divulgados pelo Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde, mostram que, em 2015, 5.671 bebês nasceram de mães com no máximo 13 anos de idade. Em apenas 333 destes casos (5,9% do total), o estupro foi denunciado.

Porém, por lei, sexo com menores de 14 anos é considerado estupro de vulnerável, o que aponta de forma óbvia o problema da falta de denúncia.

No ano passado (2015), a cada dez casos de estupro, sete foram cometidos contra crianças ou adolescentes. Na maioria dos casos, a vítima conhece o agressor: 23,62% dos casos são cometidos por amigos e conhecidos, 15,06% por pais e padrastos e 14,19% por pessoas que a vítima tem alguma afeto.

Ou seja: a sociedade precisa entender que estupro é sobre relação de poder e domínio, e a roupa não exerce influência no comportamento do estuprador. Na Índia, por exemplo, são relatados anualmente centenas de casos de estupro coletivo e, lá, as mulheres utilizam vestimentas que cobrem boa parte de seu corpo.

Como apontamos anteriormente, uma porcentagem assustadora de meninas com menos de 13 anos são estupradas anualmente no Brasil, na maioria das vezes, por membros da família e amigos. Isso nada tem a ver com a roupa ou com o comportamento.

Por isso é fundamental discutir as causas do estupro e combater os estupradores, porque, como já falamos, eles não param de estuprar quando a mulher está coberta e nem quando elas ainda são crianças. Fechar os olhos para isso e admitir que a culpa está apenas na vestimenta da mulher é ignorar a raiz do problema.

O cenário está mudando e, como a pesquisa do Datafolha apontou, quem ainda mantém esse pensamento são as pessoas mais velhas. Com sorte e estudo, daqui uns anos a gente vai conseguir combater o pensamento que coloca a culpa na vítima em vez de protegê-la.

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