Tudo o que você precisa saber para (re)começar a ouvir vinil

Confira as dicas antes de optar pelo Long Players

Quer dizer então que você quer começar a entrar nesse fascinante e instigante mundo dos Discos de Vinis? Taí uma boa pedida. Porque, meu caro, poucas coisas neste mundo são tão classudas quanto ouvir um bom som analógico.

Logicamente que é um hobby para poucos malucos, especialmente para essa estranha espécie de seres que ainda veem sentido em despender algum dinheiro comprando um álbum físico, que curte ficar vendo o encarte e os detalhes da arte da capa e que está seriamente pensando em instalar mais uma estante na sala para aumentar a coleção de bolachões.

É o tipo de lance que também envolve tempo e que invariavelmente termina em uma busca obstinada pelo disco dos sonhos, o cálice sagrado musical que te faz parar numa lojinha no meio de uma rua durante sua viagem de férias, porque, às vezes, ele pode estar lá. Pelo menos, é assim que funciona comigo.

Pois bem, se essa é a ideia, então vamos nessa.

Qual toca-disco escolher?

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Como tudo nesta vida, tudo depende do seu bolso. É possível encontrar no Brasil alguns TDs novos, como da Numark e da Ion Audio, por R$ 700 a R$ 900. Se você não for exigente, eles dão mais do que pro gasto. Por outro lado, ostentadores poderão se deliciar com modelos da Pro-Ject que custam um pouco mais do que os olhos da cara.

Mas em geral, toca-discos da década de 1970 e 1980, tipo os da Gradiente ou da Aiwa, não são só de ótima qualidade como custam uma fração disso. Por isso é sempre interessante dar uma olhada em sebos, em instituições filantrópicas que vendem produtos usados, em sites de leilões ou mesmo na casa da sua avó (vai que ela tem lá uma vitrola encostada dando sopa). E se o negócio estiver detonadaço, há locais como o Catodi, em São Paulo, que conseguem restaurar.

Mas antes de levar o brinquedo para casa é preciso verificar se ele tem duas peças fundamentais: o contrapeso no braço e a cápsula da agulha removível. Em aparelhos mais simples, esses itens costumam vir padronizados de fábrica e podem fazer um baita estrago nos discos.

Também é legal saber se o modelo é direct drive ou belt drive. A diferença é basicamente o modo como o prato roda: se é com um motor no meio (direct) ou por uma correia (belt). Em geral, os belt drives são os queridinhos dos audiófilos. O motivo: o motor do direct drive pode provocar ruídos e distorções na reprodução do som. Por outro lado, os belt drives podem ficar com o som fora do tempo se a correia estiver gasta (o que facilmente se arruma trocando-a).

E agora, onde plugar?

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A não ser que o toca-disco seja do tipo integrado (tipo aqueles 3 em 1 com rádio e toca-fitas, populares nos anos 1970), é preciso ter um amplificador para ver o negócio funcionar. O amplificador nada mais é que o aparelho que vai jogar o som do TD para as caixas, e ele pode ser qualquer coisa, até mesmo um microsystem velho de guerra, desde que tenha uma entrada especial de phono. Se seu som não tiver essa entrada, será preciso descolar um pré-amplificador de phono para plugar na entrada auxiliar. Alguns toca-discos mais modernos costumam vir com o pré-amp já embutido, mas isso é meio raro.

Uma opção viável para quem tem pouco espaço é usar caixas ativas, que já são amplificadas, mas o custo-benefício dessa empreitada costuma ser terrível. O ideal é arranjar um amplificador, que pode ser um antigo usado ou um receiver moderno com entrada phono, e ir atrás de umas boas caixas (aliás, não custa lembrar que a impedância da caixa precisa ser compatível com a do amplificador, senão todo o circuito vai derreter, pode ter certeza).

Falta mais alguma coisa?

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Antes de botar o negócio para funcionar é preciso regulá-lo. É como ligar um smartphone pela primeira vez. Cada cápsula e agulha tem um peso recomendado pelo fabricante, então o contrapeso do braço precisa ficar compatível com o conjunto. A técnica é deixar o braço em um ponto de equilíbrio, como se estivesse flutuando, o que seria o peso zero, e ajustar até o valor correto.

Outra regulagem é alinhar a cápsula no shell e isso se faz usando um modelo de gabarito, que é colocado no centro do prato. Se estiver alinhada, a agulha conseguirá atingir os dois pontos. Caso contrário, será preciso recolocar a cápsula no shell. Aqui você encontra um modelo de gabarito universal para imprimir.

Por último, tem a regulagem do anti-skating, que é o sistema que impede que o braço deslize para o centro do prato enquanto estiver tocando. Esse é mais complicado. Se você não tiver um disco de vinil sem ranhuras, ou seja, um disco em branco, para verificar se o braço “anda” para o centro ou para fora, o negócio é colocar o mesmo peso da cápsula e ir ajustando com ajuda de um fone de ouvido. Se houver qualquer distorção no som de um dos lados, é porque o anti-skating está desregulado.

Agora sim, meu amigo, é hora de botar esse bolachão para rodar. Desça o braço e deixe a mágica do som analógico fazer sua parte.

Antes de qualquer coisa, pense nisso!

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LPs são legais pra cacete e tal, mas antes de de mais é preciso entender um lance importante: som do vinil não é necessariamente melhor que o de CD. Este é um daqueles mitos que precisam ser derrubados. A questão é que são mídias diferentes e por isso as percepções logicamente são diferentes. O que se diz é que o vinil consegue reproduzir mais frequências do que o CD, mas o CD é mais fiel tecnicamente.

E ainda há um problema com essa suposta vantagem do analógico já que tudo depende da masterização. Uma grande sacanagem que as gravadoras vêm fazendo nos últimos anos, quando o vinil voltou a fazer a cabeça da galera, foi a de usar a mesmíssima masterização dos CDs nos LPs. Dessa forma, o som analógico fica quase igual ao digital, só que com a desvantagem de ter chiado, de se degradar com o tempo e de ser ridiculamente mais caro. Por isso, o lance é pesquisar antes de arrematar um disco. Muitas vezes, comprar um CD vale muito mais a pena.

► Texto escrito por Igor Nishikiori – Jornalista, são-paulino, gosta tanto de CDs quanto de vinis e ainda está atrás do seu cálice sagrado musical.

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