Pesquisadores descobrem como apagar memórias dolorosas e implantar novas

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Segundo uma matéria publicada no The Telegraph, cientistas descobriram uma droga capaz de eliminar memórias ruins. Você pode estar imaginando que essa é uma notícia maravilhosa mas, como a gente já viu no filme Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (e em vários ensaios sobre a existência de uma droga assim), essa solução pode não ser tão benéfica assim.

Desconsiderando, por ora, questões antropológicas e sociais, vamos aos fatos: cientistas desenvolveram um jeito de bloquear e até deletar memórias ruins do cérebro das pessoas.

Pesquisadores descobriram que eles podem utilizar drogas para apagar memórias específicas e deixar outras intactas! O processo funciona mais ou menos assim: eles injetam uma droga da “amnésia” no momento certo, quando o objeto de estudo – ou seja, a pessoa que quer eliminar determinada lembrança – esta pensando exatamente na memória quer eliminar. Dessa forma, neurocientistas descobriram que eles poderiam quebrar a forma que a memória é armazenada e até mesmo fazê-la desaparecer.

A técnica utilizada por Michel Gondry nos personagens do Jim Carrey e da Kate Winslet realmente funcionaria!

Como a memória funciona? 

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Para conseguir entender direito como esse processo realmente pode ser possível, é preciso entender como a memória funciona e como ela é armazenada em nosso cérebro. Antigamente, acreditava-se que as memórias ficavam armazenadas em um ponto único, como uma “caixinha de lembranças”. Mas, na verdade, cada memória é formada e está repleta de conexões em todo o cérebro, por isso, apagá-las seria algo bem mais difícil.

Vamos tentar explicar isso de um jeito mais prático: para a memória se formar, é preciso que proteínas estimulem nossas células cerebrais o suficiente para que elas formem novas conexões. Depois, a memória fica guardada na mente, esperando que a gente a visite novamente.

Se você já viu Divertidamente, talvez sinta-se mais confortável com o resto da explicação: as memórias de longo prazo, entretanto, não são estáveis. Sempre que visitamos uma dessas lembranças, ela se torna mais forte do que era antes. Esse processo, segundo a revista Galileu, se chama “reconsolidação”.

Você já se perguntou porque, muitas vezes, algumas vezes nós não nos lembramos de determinado acontecimento até que alguém o relate para a gente? Por exemplo: quando você tinha onze anos de idade, sua mãe dizia que, aos cinco, você adorava correr de cueca pela casa. Você, aos onze, não se lembra disso mas, com o tempo, passa a ter certeza de que fazia isso e consegue até se lembrar da cor da sua cueca favorita para correr pela casa.

Como a droga agiria?

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Esse fenômeno explica justamente porque algumas lembranças mudam ao longo dos anos, e é justamente esse processo que deu aos cientistas ideias para “hackear” as memórias. Porém, os cientistas que trabalham nessa área relatam os perigos dessa técnica. Em um novo estudo publicado no Journal of Psychiatric Reserach, psiquiatras da Universidade McGill, em Montreal, e da Universidade de Harvard, em Boston, utilizaram a droga da amnésia para enfraquecer as memórias de vítimas que passaram por algum trauma.

O Professor Karin Nader, da Universidade de McGill, disse: “Enquanto uma memória está sendo reconstruída, nós damos aos pacientes a droga que desliga o lado emocional da memória. Isso permite que a parte consciente da memória fique intacta e, por isso, os pacientes podem se lembrar de detalhes do que aconteceu sem se sentirem mal por causa da lembrança”.

A droga usada pelos cientistas foi pensada para interromper os caminhos bioquímicos que permitem que a memória “endureça” depois de ser acessada. Os pesquisadores utilizaram a propranolol, uma droga normalmente utilizada para tratar hipertensão e doenças cardíacas mas também conhecida por causar problemas de memória.

Eles trataram 19 vítimas de estupro por 10 dias com a droga e com pílulas de placebo enquanto pediam para que elas descrevessem suas memórias de um evento traumático que aconteceu 10 anos antes. Uma semana depois, eles descobriram que as pacientes que receberam a droga sofreram poucos sinais de estresse como o coração acelerado ao recordar do trauma.

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Cientistas da Universidade de Nova York publicaram outro estudo onde eles alegaram ter apagado uma memória específica do cérebro de ratos enquanto suas outras memórias continuaram intactas. Os ratos foram treinados para associar duas notas musicais com um leve choque elétrico para quando eles ouvissem qualquer uma das notas, temessem o choque.

Os pesquisadores, então, deram uma droga chamada U0126 – conhecida por causar amnésia temporária – para metade dos ratos enquanto eles tocavam uma das notas musicais.

Depois do tratamento, os ratos que receberam a U0126 não associavam mais a primeira nota em particular com o choque imediato mas continuavam reagindo negativamente quando ouviam a segunda nota, mesmo sem levar o choque, demonstrando que apenas uma das memórias fora apagada.

O Professor Joseph LeDoux, líder do time de especialistas na Universidade de Nova York, disse: “Esse tipo de tratamento provavelmente terá efeitos permanentes”. A pesquisa alarmou alguns especialistas que temem que a droga utilizada para alterar a memória possa ser usada por indivíduos saudáveis em busca de apagar memórias indesejadas por simples capricho.

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Um novo relatório publicado pelo Gabinete Parlamentar de Ciência e Tecnologia do Reino Unido adverte os membros do parlamento sobre esses avanços científicos e também alerta que regulamentos devem ser postos em prática para restringir o uso de qualquer droga de bloqueio de memória, impondo limites rígidos sobre a sua prescrição.

O Dr. Peter Border, editor do relatório, disse: “Está havendo um silêncio ensurdecedor dos reguladores sobre suas considerações a respeito dos produtos farmacêuticos de licenciamento para uso em indivíduos onde não há benefícios médicos. Há uma necessidade de alguém para considerar como regular estas coisas”.

A preocupação de Peter Border é legítima, afinal, com uma droga como essa seria possível – de forma ainda mais efetiva – condicionar memórias perigosas e fazer indivíduos acreditarem ter cometido algum crime ou serem responsáveis por algo que não fizeram.

Apesar dessa descoberta científica ser interessante para pacientes que sofrem de alguma fobia ou trauma, ela pode ser extremamente perigosa não só no aspecto criminal da implementação de memórias, mas também no nosso desenvolvimento como ser humano que, entre outras coisas, também se baseia no aprendizado derivado de memórias e em como o nosso corpo lida com lembranças negativas e positivas.

Além do mais, de acordo com a pesquisa, não são exatamente as memórias que nos machucam, e sim as associações que fazemos a elas. Então, aquela velha história de aprendermos com os nossos erros e evoluirmos com nossas memórias continua sendo a principal chave da felicidade.

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