A neurociência dos sonhos lúcidos

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Você já acordou, durante o meio da noite e, repentinamente, percebeu que ainda estava sonhando? Algumas pessoas, ao perceberem que estão sonhando, acordam. Outras, ao perceber o sonho, conseguem controlá-lo e, dentro dele, fazem o que querem.

Esse fenômeno se chama Sonho Lúcido e, em um estudo divulgado na revista Galileu, foi comprovado que uma em cada 5 pessoas tem pelo menos um sonho lúcido por mês.

Porém, esse tipo de sonho talvez seja a experiência mais bizarra que alguém pode ter. Você está sonolento, mas consegue se movimentar e realizar ações para só depois perceber que, na verdade, estava dormindo o tempo inteiro.

Em determinado momento, você pode inclusive escolher acordar. Na verdade, a maioria das pessoas que consegue dominar os sonhos lúcidos o faz porque, em sua maioria, esse tipo de experiência parece mais com um pesadelo.

Mas, se você escolhe continuar sonhando depois desse momento de percepção, sabe que o mundo ao seu redor é completamente criado pelo seu cérebro. Assim como o Neo depois de enxergar a realidade em Matrix, você pode burlar as leis da física e realizar praticamente qualquer coisa.

Pode voar, parar balas com as suas próprias mãos, visitar algum país desconhecido ou viver uma história de amor com alguém que você gosta. Porém, alcançar esse tipo de experiência é algo raro pois, na maioria das vezes, o início da experiência é assustadora e, consequentemente, as imagens formadas pelo seu cérebro também serão.

Susana Martinez, jornalista da Scientific American, relatou seu primeiro sonho lúcido como o mais assustador de toda a sua vida: “Quando eu tinha cerca de 5 anos, estava esperando minha mãe me chamar para o jantar quando o bicho papão apareceu. Ele deveria ser um monstro interessado em dilemas morais, porque ele me pediu para decidir qual seria seu menu para o jantar, eu ou a minha mãe. Se eu não decidisse, ele comeria nós duas. Quando eu percebi que essa situação era assustadora e surreal demais para ser verdade, acordei”.

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A jornalista, desde então, experimenta vários sonhos lúcidos e chega a ter 2 em um único mês. Porém, a ciência afirma que existem pessoas mais propícias a viver esse tipo de experiência do que outras.

Um novo estudo, datado no início de 2015 e publicado no Journal of Neuroscience, buscava determinar se pessoas com alta ou baixa capacidade para ter sonhos lúcidos também eram diferentes em sua habilidade metacognitiva – resumidamente, a capacidade de pensar sobre o pensar.

Os participantes do estudo completaram questionários que avaliavam a frequência de seus sonhos lúcidos, intensidade e grau de controle e também suas habilidades metacognitivas, incluindo auto-reflexão e auto-consciência. Os voluntários do experimento, além disso, tiveram o lado imaginativo de seu cérebro analisado enquanto era conduzido por tarefas de monitoramento.

Esse processo consistiu em dois turnos de 11 minutos onde os voluntários precisaram avaliar cada pensamento que surgia em suas mentes em uma escala orientada externamente e internamente.

Os pensamentos orientados externamente significavam pensamentos relacionados ao ambiente externo – como percepção visual ou barulhos do scanner; os pensamentos orientados internamente não eram relacionados ao ambiente imediato, mas sim, lembranças de eventos passados ou planejamentos para os dias seguintes.

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A pesquisa apontou que o cérebro de pessoas com sonhos lúcidos mais e menos intensos e frequentes eram diferentes. Os voluntários com alta capacidade para experimentar sonhos lúcidos tinham maior volume de substância cinza no córtex frontopolar comparados aos voluntários com baixa capacidade. Essa área do cérebro também demonstrou maior atividade durante os pensamentos monitorados tanto nos voluntários com maior quanto naqueles com maior capacidade de vivenciar sonhos lúcidos – porém, com atividade mais intensa no grupo com sonhos lúcidos mais vívidos.

Os cientistas concluíram que sonhos lúcidos e metacognição dividem alguns mecanismos subjacentes, particularmente no que diz respeito ao monitoramento de pensamento. Essa relação já era suspeita, mas nunca fora explorada em um nível neural.

Pesquisas futuras podem nos dizer se é possível controlar a frequência e conteúdo de nossos sonhos lúcidos treinando nós mesmos para monitorar pensamentos enquanto estamos acordados.

Seria ótimo nos livrar da possibilidade de sonhar com o bicho papão ou fugir do Freddy Krugger enquanto estamos dormindo.

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