Negros que mudaram a história no Brasil e no mundo

Créditos: IMDB
 

Quando Viola Davis, protagonista de How To Get Away With Murder – uma das maiores séries da atualidade – ganhou o Emmy de melhor atriz ela deu o seguinte discurso:

“Na minha mente, eu vejo uma linha. E sobre essa linha que eu vejo campos verdes e flores lindas e belas mulheres brancas com seus braços esticados para fora sobre essa linha. Mas eu não consigo chegar lá, não sei porque. Eu não consigo superar essa linha. Isso era Harriet Tubman em 1800. E deixe-me dizer uma coisa, a única coisa que separa as mulheres de cor de qualquer outra pessoa é oportunidade. Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem. Então aqui está para todos os escritores, o pessoal maravilhoso (…) que redefiniu o que significa ser bonito, ser sexy, ser uma mulher protagonista, ser negra”.

A luta dos negros ainda não acabou. A realidade brasileira é muito diferente da realidade norte-americana, assim como, é claro, é diferente da realidade de vários países ao redor do mundo.

Créditos: EW
 

A cultura escravista e os resquícios da segregação racial continuam enraizados em nossa sociedade e, por mais que muitas pessoas se neguem a enxergar, viver o preconceito e a extrema diferença de oportunidades é a realidade dos negros até hoje.

Infelizmente, até 1967 os negros nos Estados Unidos não podiam sequer votar, e suas casas eram queimadas em várias cidades enquanto a policia, muitas vezes fechava os olhos ou inclusive participava dos crimes de ódio. Felizmente, muito foi feito ao longo da história.

Há menos de cinquenta anos, os negros sequer tinham direitos civis em vários lugares do planeta. Esse terror foi real há pouquíssimo tempo e é ingênuo pensar que não há traços disso na nossa cultura atual.

Porém, como dito anteriormente, muito foi feito pelo direito dos negros ao longo da história. Principalmente nas últimas décadas.

Para celebrar o Dia da Consciência Negra, separamos alguns dos principais responsáveis pela liberdade da etnia e pelos direitos alcançados até hoje.

Martin Luther King Jr.

Créditos: Wikipedia
 

Um dos ativistas mais famosos dos Estados Unidos, Luther King era pastor da Igreja Batista e lutou pela igualdade racial, discursando por todo o território americano e pregando o ativismo pacífico.

Em 1964, recebeu o Nobel da Paz e, antes que pudesse ver os negros norte-americanos ganhando o direito à voto em todo o país, foi assassinado em uma marcha em um hotel em Memphis. Sua cinebiografia, Selma, foi lançada no Brasil no início deste ano, e relata as marchas históricas de 1965.

Se você ainda não viu o filme, escute a música principal da trilha sonora e se emocione:

Nelson Mandela

Créditos: ensinar.info
 

O mais poderoso símbolo da luta contra o Apartheid, regime segregacionista da África do Sul, foi ganhador do Nobel da Paz em 1993 e é conhecido como o Pai da Pátria em seu país. Foi o primeiro presidente negro da África do Sul entre 1994 e 1999, e só alcançou o poder depois de 30 anos preso por, segundo líderes da oposição: “praticar terrorismo contra o regime Apartheid”.

Jovem, ainda estudante de direito, se envolveu em movimentos estudantis e acabou sendo expulso da universidade por ser contra as políticas pregadas por ela. Precisou terminar sua graduação por correspondência para, depois, unir-se ao Congresso Nacional Africano.

Jesse Owens

Créditos: ATFW
 

Nas olimpíadas de Berlim, em 1936, o norte-americano Jesse Owens ganhou quatro medalhas de ouro nas provas de atletismo. Em sua premiação, Adolf Hitler não o cumprimentou. A maioria das pessoas conhece essa história mas, o que muitos não sabem, é que nem Franklin Roosevelt, presidente dos Estados Unidos no período, parabenizou o atleta.

Setenta e três anos depois, os Estados Unidos elegeram seu primeiro presidente negro, Barack Obama.

Machado de Assis

Créditos: Homoliteratus
 

Até hoje, muitos não sabem que um dos maiores escritores brasileiros era negro. Machado de Assis nunca fez universidade, o que é uma clara representação da situação dos negros no Brasil. Durante a época da Proclamação da República, transitou entre vários gêneros literários e foi assíduo comentador da situação política brasileira.

Fundou – ao lado de colegas escritores – e foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras.

Releia algumas de suas obras sobre a ótica de terem sido escritas por um negro e você vai perceber a sutileza e delicadeza das críticas traçadas por Machado de Assis.

Dandara dos Palmares

Créditos: Wikipedia
 

O negro já carrega uma herança história cruel. A mulher negra, então, muitas vezes acaba esquecida nas aulas de história.

Dandara dos Palmares foi uma grande guerreira na lua pela liberdade do povo negro. No século XVII, conquistou espaço de liderança nas lutas palmarinas e enfrentou todas as lutas seguintes em Palmares. Foi companheira do Zumbi de Palmares e seguia ao seu lado sem perder o protagonismo feminino.

Ela morreu em 1694 durante uma batalha para defender o Quilombo dos Macacos.

Outras mulheres também lutaram em séculos aproximados, mas também são frequentemente esquecidas, como o caso da Tereza de Benguela, liderança quilombola no século XIII. Ela assumiu o comando do Quilombo do Piolho em Mato Grosso depois da morte do seu marido.

Posteriormente, comandou o Quilombo do Quaritê que cresceu sob sua guarda e inclusive agregou índios bolivianos e brasileiros. Tereza foi presa pela Coroa Portuguesa e cometeu suicídio por negar a escravidão.

Zumbi dos Palmares

Créditos: IPCO
 

Símbolo da luta pelos direitos dos afrodescendentes , ele foi o último dos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior de todos do período colonial. Além de lutar pela liberdade do povo negro, Zumbi também lutou pela liberdade de culto, religião e prática da cultura africana no Brasil.

A traição de um antigo companheiro é a principal causa da morte de Zumbi dos Palmares depois de um ataque ao Quilombo e a destruição total da sede Macaco.

O dia da consciência negra é comemorado no dia 20 de novembro pois foi este o dia de sua morte.

Rosa Parks

Créditos: Wikipedia
 

Em dezembro de 1955, a costureira norte-americana Rose Parks se recusou a ceder o seu lugar no ônibus para um branco.

Ela foi presa.

Seu ato foi a gota d’água para o início do movimento denominado: “Boicote aos Autocarros de Montgomery” que, posteriormente, iniciou a luta antissegregacionista nos Estados Unidos.

Martin Luther King frequentemente citava Rosa Parks em seus discursos.

Uma homenagem para todos

Créditos: Wikipedia
 

Citar todos os nomes marcantes é praticamente impossível mas, também, é impossível não lembrar de Pixanguinha, um dos maiores flautistas da história e responsável pela popularização de instrumentos africanos no Brasil.

Assim como não podemos esquecer um nome pouco estudado, mas fundamental para a nossa medicina: Juliano Moreira, médico falecido em 1932 que deixou como legado a sua luta pela aprovação de leis de assistência aos doentes mentais e foi pioneiro da psiquiatria no Brasil; Ray Charles, pianista pioneiro e cantor de soul fundamental para traçar as características fundamentais desse estilo musical.

Ainda na música, a importância indiscutível de Billie Holiday, John Coltrane e outros músicos que, em cantos escondidos de Nova Orleans, criaram um movimento musical de manifestação quase ideológica hoje mundialmente aplaudido, o Jazz.

São muitos os nomes marcantes da nossa história que, nesse aspecto, também segue sendo escrita.

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