Motivos para amar e odiar “O Poderoso Chefão 3”

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Não levo nenhuma lista de melhores filmes a sério se não tiver a presença de “O Poderoso Chefão” 1 ou 2 por lá. Na minha opinião – e na de muitos críticos e amantes do cinema também – os dois são verdadeiras obras primas do sétima arte. Infelizmente, a mesma lógica não se aplica ao terceiro filme da saga.

Pessoalmente falando, assisti incontáveis vezes os primeiros capítulos da franquia. Foram tantas, que cheguei a decorar falas do filme: “Deixe a arma, traga os cannolis”, “Se você fosse meu amigo, os seus inimigos seriam meus inimigos agora” e “Eu sei que foi você, Fredo. Você partiu meu coração” .

Confesso que vi muito poucas vezes o terceiro. Aliás, caberia em uma mão só, incluindo a que eu vi para escrever essa matéria. E parece que não sou só eu que não se dá bem com o capítulo final da saga.

A conclusão de trilogia não só é a que mais recebeu críticas negativas, como também a que fez menos dinheiro em bilheteria. Para piorar, saiu apenas algumas semanas depois de “Os Bons Companheiros”, fazendo com que a comparação se tornasse inevitável.

Sim, é um filme difícil de ver, mas acredito que existam alguns prós ai no meio. Separei abaixo motivos para amar e odiar “Poderoso Chefão 3”. Se liga:

Motivos para odiar “O Poderoso Chefão 3”

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Para começo,  vale lembrar que Francis Ford Coppola nunca quis fazer uma continuação para “O Poderoso Chefão”.  O segundo filme da franquia era para ter sido dirigido por Martin Scorcese, porém este desistiu de última hora e Francis acabou aceitando a direção .

No caso do terceiro filme, o diretor passou anos recusando propostas e só aceitou novamente o cargo para poder pagar as dívidas que contraiu após a falência de sua produtora. Se liga no depoimento que o cara deu para a GQ norte-americana:

“Eu nunca acreditei que o “O Poderoso Chefão” deveria ser uma série. Era uma história completa. Eu apenas fiz as sequências porque o primeiro longa fez muito dinheiro e tinha muita pressão em cima de mim. É como o cinema funciona: As continuações sempre fazem mais dinheiro que o original. Eu não queria ter feito mais nenhum filme depois do primeiro e com certeza não queria nem ter feito um terceiro, muito menos quero fazer um quarto. Se tivesse sido do meu jeito, haveria apenas um “O Poderoso Chefão”.”

Depois de tanto relutar, Coppola acabou aceitando para pode fazer a história do seu jeito, mas estava longe do tesão e da boa forma de seus primeiros anos na direção.

Podemos ver isso no roteiro do filme que foi reescrito diversas vezes a pedido dos produtores. Algumas alterações vieram por conta de baixas no elenco, como a ausência de Robert Duvall que pediu mais do que o estúdio estava disposto a pagar.

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Ai começam os problemas. O roteiro é todo centrado nos esforços de Michael Corleone para tornar os seus negócios completamente legais. Para fazer isso, resolve investir em uma construtura ligada ao Vaticano.

Porém, o seu momento de paz vai por água abaixo com o surgimento de seu sobrinho Vincent, filho bastardo de Sonny, que se envolveu em uma briga com  Joey Zasa, um mafioso ligado aos Corleone.

A ideia era mostrar o fim da saga de Michael e o futuro da família.  Até aí,  bacana. O problema foi a falta de ação e muitas “lombadas” que impedem a história de seguir no mesmo que ritmo crescente que seus antecessores.

Você sente cada minuto das mais de duas horas e meia de “O Poderoso Chefão 3” se arrastando. Algo que não acontece nas películas originais. Por muitas vezes, parece que não tem nada acontecendo em tela.

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A ausência de um “vilão” forte também prejudica.  Zasa até que prova seu valor – a cena do helicóptero é foda -,  mas ele morre muito cedo, bem no meio do longa.

A partir dai, ficamos seguindo o caminho de Michael para legalizar seus negócios sem ter uma ameaça clara e definida. Quase como se o filme acabasse e recomeçasse de novo.

No primeiro,  esperamos ansiosamente para a vingança dos Corleone sobre Sollozzo e a família Tattaglia. No segundo, queremos ver a vingança de Vito e o acerto de contas de Michael com Fredo. Aqui, acompanhamos as viagens de Michael pela Itália. Frustrante.

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Outro problema é personagem Vincent. Andy Garcia é um bom ator – não a toa foi indicado ao Oscar por este filme – mas não há espaço para o seu personagem ter um arco de ascensão tal qual a de Michael no primeiro.

Na minha opinião,  Coppola provavelmente evitou dar esse destaque para o personagem para evitar que houvesse espaço para uma quarta continuação

Logo, Vincent ganha os holofotes na primeira metade do longa, mas quando começa a virar um Don, é deixado de lado e some de tela.

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Para concluir, quero destacar um ponto. “O Poderoso Chefão” um e dois são essencialmente sobre a máfia.  O segundo,  por exemplo, chega a mostrar dois escopos do mundo dos criminosos. O de Vito criando o império Corleone, e o de Michael continuando os negócios do pai.

O terceiro é quase todo focado um filme em um homem:  Michael e seus conflitos morais por conta dos pecados do passado. Gosto muito do papel de Al Pacino, mas aqui, vemos mais o ator no modo automático do que aquele personagem frio e calculistao. Sua atuação lembra por demais os papéis que fez em “Perfume de Mulher” e “Advogado do Diabo”

Ele ainda tem momentos de atuação brilhantes, mas o ponto de vista aqui é muito contrastante do que estávamos acostumados. Por isso o choque de muitos. Michael Corleone era um homem de reação.  Aqui,  ele vira quase um espectador deprimido e oprimido pelo mundo ao seu redor.

Quase como se acompanhássemos um filme inteiro do Superman onde ele foi afetado pela kriptonita e tenta sobreviver cambaleando num mundo que quer matá-lo.

Motivos para amar “O Poderoso Chefão 3”

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Para começar,  Coppola podia não estar na maior empolgação da Terra para fazer este filme, mas vale frisar que um filme ruim do cara vale mais do que muito filme bom de alguns diretores que vemos por ai.

Estamos falando de fotografia e  direção de arte impecáveis. Além disso, temos bons atores no elenco. Quando Al pacino tem que brilhar, brilha como ninguém. No contraponto, Andy Garcia mostra um crescimento e amadurecimento que fazem com que seu personagem do fim do longa seja o exato oposto do que vemos no começo.

Talvez Sofia Coppola não seja a melhor atriz para o papel que faz, mas vale lembrar que ela entrou de última hora para substituir Winona Ryder que cancelou sua participação na produção.

Mesmo assim, o fim de sua personagem é literalmente um tiro no peito. Você pode não suportar a Mary, mas quando ela morre, você sente junto com Michael. Por falar nisso…

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Outra coisa que eu gosto é a desconstrução de Michael Corleone.  Vemos um homem que tanto falou e lutou por sua família morrendo sozinho. Você já parou para reparar nesta ironia?

Por mais que Michael seja tão obcecado em honrar seu nome, suas atitudes ao longo do filmes fizeram com que cada vez mais ele fosse renegado por quem ama.

Ele perdeu a esposa, matou o próprio irmão, tem uma péssima relação com os filhos e, quando finalmente estava se redimindo, viu a própria filha morrer em seus braços.

Para completar, Don Michael Corleone morre sozinho, abandonado, relembrando todas as mulheres que perdeu em sua vida. Se muitos falam que “O Poderoso Chefão” um e dois são filme que glorificam e glamurizam a máfia, Coppola encerra sua trilogia com um recado claro: O crime não compensa.

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