MHM entrevista Leandro Lehart

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Mais do que ex-vocalista do Art Popular, Leandro Lehart é um homem de números. O sambista, que já vendou mais de 8 milhões de discos, foi durante dez anos o maior arrecadador de direitos autorais do país.

Considerado melhor compositor dos anos 90 pela Revista Veja, já teve mais de 300 músicas que escreveu gravadas, por gente como Alcione, Jorge Ben e Jorge Aragão. Guarda ainda um prêmio Guinnes por reunir mais de mil ritmistas no projeto “A Maior Bateria de Escola de Samba do Mundo”.

Se nos anos 90, ela era uma unanimidade na música brasileira, na última década- em carreira solo – se dedicou a projetos com uma repercussão menor do que a de seu auge. Seu último grande projeto foi um DVD com releituras dos melhores sambas-enredo da história do carnaval paulistano.  Mas o músico promete por todo mundo para sambar com o lançamento de um disco de inéditas após sete anos sem novidades.

À convite do whisky escocês Passport Scotch, o sambista gravará o DVD ao vivo de seu novo disco “Sambadelik”. A apresentação será no Via Marquês, em São Paulo, no dia 3 de junho. Para o evento foram convidados ​ artistas especiais como Negra Li, Helião, Anderson Leonardo, do Molejo, e outros nomes. O show faz parte do Projeto  Casa dos Bambas.

O MHM conversou com Leandro Lehart sobre o novo álbum, sobre sua carreira e vida. Confira:

Como é a emoção de lançar um trabalho inédito depois de 7 anos? Ainda dá um frio na barriga?

Leandro Lehart: Olha, é muito especial. Eu vivo de criação e gosto de criar. Esse disco é muito especial, não só na parte das músicas inéditas, mas na sonoridade que é muito nova. Eu demorei muito tempo para lançar porque queria ter certeza que chegasse no resultado que eu queria.

Mostrei para vários amigos músicos e produtores, dos mais variados setores da música: DJs, rappers, produtores de samba.. Todo mundo me deu um super apoio. Eu achei um momento certo de mostrar e registrar isso em um DVD.

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O show do DVD contará com a presença de Negra Li e Helião. Recentemente, você regravou “Agamamou” com o Emicida. Como é essa sua mistura do samba com o Hip-Hop? Como se dá essa liga?

Essa mistura é uma coisa que já existia. Nosso som vem do mesmo lugar, das periferias da cidade. Quando eu fui escolher o som que ia fazer, escolhi um outro caminho, o samba, mas que está muito próximo.

Eu acho que esse meu disco aproxima mais o hip-hop do samba no sentido que é uma musica programada, eletrônica, com mais punch. Esse trabalho aproximou mais os rappers do meu som e eu fiquei mais próximo deles também. Sinto muito orgulho disso. O Ice Blue dos Racionais também veio aqui e ouviu o disco.

Recentemente, temos visto a volta da galera do pagode dos anos 90, como SPC, Raça Negra e Molejo. Como você vê esse movimento?

Primeiro que eu sinto muito orgulho de ter feito parte dessa mesma geração. Na gravação do DVD eu vou levar o Netinho, o Anderson do Molejo, O Marcio Art e o Marcelinho, do Sem compromisso, para cantarem uma musica comigo. Recentemente, eu dirigi uma série de 12 programas para a rádio Transcontinental sobre o segmento, fazendo entrevistas com vários grupos e personagens do s anos 90.

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Acho muito legal essa onda de ter vários caras das antigas voltando e vários sons tocando de novo com. Aquela música embalou toda uma geração entre o final dos anos 80 até 2001, 2002.

É uma musica muito boa e que muita gente criticou na época,  ainda mais quando estava tocando em todos os lugares. Sinto muito orgulho de ter feito parte daquilo e ver gerações novas ouvindo o som dos anos 90.

Tem algum motivo para isso?

Não sei se teve um motivo, é difícil explicar essas coisas. Desencadeou de um grupo aqui, o outro ali, uma galera voltando a tocar e ai rolou esse movimento de vários lugares de estar tocando esse tipo de música. Não sei diretamente porque, mas eu acho muito legal e hoje, a gente acaba dando valor a muitas músicas que na época a gente não dava.

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Você teve um trabalho muito forte com o sambas-enredo nos últimos anos. Qual influência desse tipo de música no seu trabalho?

O “Ensaio de Escola de Samba” foi gravado há quatro anos atrás e era uma vontade minha desde criança. Eu sempre fui envolvido com escolas de samba, por morar na Zona Norte de São Paulo e estar muito perto delas.

Todo fim do ano a gente comprava os discos de sambas-enredo de São Paulo e do Rio de Janeiro, e ai vários sambas foram ficaram na minha cabeça durante anos.  Achei quase uma obrigação de fazer um registro dos sambas mais espetaculares que eu ouvia desde criança. Comecei a fazer uma série de pesquisas sobre os maiores sambas-enredos de são Paulo desde os anos 60. Ai de 150 sambas a gente escolheu 16.

Foi um trabalho de pesquisa sensacional isso acabou tendo uma repercussão muito grande.Todos lugares que eu apareço que são ligado ao carnaval, aparece alguém com um DVD na mão. Fora do Brasil também fez um sucesso impressionante. Muita gente comprou no Japão, Caribe, Europa, Estados Unidos… Eu fiquei impressionado com o resultado desse registro. Penso em fazer outro desse mesmo nível sobre a musicalidade do carnaval

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Você virou uma influência muito grande para a galera que começa a tocar samba e pagode, mas o que te influencia hoje? Qual sua grande inspiração?

É difícil eu explicar isso porque é uma coisa do cotidiano. Eu tive toda pressão de fazer música para tocar no radio direto e fui um compositor muito recrutado durante muitos anos.

Hoje ainda sou requisitado, mas não tenho mais essa pressão. O que me desafia agora é o desafio de fazer coisas novas, de me realizar como músico, compositor e artista. E de produzir uma coisa que seja diferente e que faça diferença para outros. Eu acho que é esse o meu grande desafio: criar coisas novas.

Você é da Zona Norte de São Paulo, uma região que é muito forte no contexto do samba da cidade. Qual a importância dela na sua formação como artista?

Eu acho que a Zona Norte é uma das zonas mais importantes do samba no Brasil, não só em São Paulo não. Imagina que em raio de 10 km tem oito, dez escolas de samba. É muita coisa. Mais ou menos como em Madureira, que tem a Portela e o Império Serrano; a Tijuca, que tem o Salgueiro, Império da Tijuca e o Unidos da Tijuca. A Zona Norte de São Paulo é muito assim.

Eu sempre me influenciei pelos sons que haviam aqui. Eu fui passista da X9 com cinco anos de idade. Ia nos ensaios da Camisa Verde e Branco, da Mocidade Alegre, Rosas de Ouro. Isso sem falar das rodas de samba e bailes de black music que tem por aqui. Eu caminhei muito por essa cultura que é musicalmente muito negra, muito visceral e orgânica. Isso influenciou minha música e o jeito como eu componho. A Zona Norte é o lugar onde eu nasci, vivo até hoje e, com certeza, vou viver o resto dos meus dias aqui.

Você é um cara vaidoso? Qual o estilo Leandro Lehart de se vestir?

Eu sou vaidoso, mas no limite. Eu gosto de roupas confortáveis. Hoje eu estuo vestindo roupas mais urbanas, de rua. Gosto muito das roupas do movimento hip-hop, tênis, calça, mas, ao mesmo tempo, eu gosto de me sentir bem. Eu não sou muito formal. Gostaria de ser mais, sabe? Vestir um bom terno, uma gravata, mas eu não sou disso não. Hoje eu não sou, mas quem sabe um dia?

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