Mais respeito com as “minas da facul”

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“Você vai ser lembrado pelas colegas de faculdade como um cara firmeza ou como o babaca que transformou uma festa em um pesadelo?”

Tenho ótimas lembranças dos tempos de faculdade. Foi lá que conheci muitas das pessoas que mais amo. Infelizmente nem todas as mulheres têm lembranças tão boas quanto as minhas, porque elas vêm acompanhadas de uma assombração que marca uma vida inteira: a violência sexual.

+ Feminismo é coisa de mulher?

Pra começo de conversa, é bom esclarecer de uma vez o conceito: violência sexual não é só o estupro que vemos nas páginas policiais. Se a menina está desacordada ou muito alcoolizada e mesmo assim um cara insiste em tentar transar com ela, isso é uma violência sexual. Se o cara fica forçando a barra para ela ficar com ele mesmo depois de ela dizer que não quer, isso é uma violência também. Fora as passadas de mão, vazamento de fotos e outras covardias.

Não tem uma faculdade que se salve. Todo mundo conhece o caso de uma menina que foi violentada durante uma festa ou um churras da “facul”.

 “Pô, violentada? Isso é muito pesado… Não acontece com frequência!”

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Acontece, sim. Só que muitas vezes fica disfarçado por um pacto do silêncio – as meninas se sentem tão humilhadas e constrangidas que não conseguem denunciar o cara, que frequentemente é um colega de classe. Por outro lado, são hostilizadas e não recebem apoio algum quando decidem abrir a boca.

Isto é, quando se entende que o que aconteceu foi uma violência. Porque na faculdade, com todo aquele clima da hora de sexo, drogas e funk-sertanejo, os abusos parecem coisas normais. Parece que se você está numa festa ou bebe com a galera, já está avisada que seu corpo está “à disposição” e não tem direito de dizer não.

Essas situações acontecem com tanta frequência nesse ambiente que ninguém conversa sobre as consequências. Apesar de ser dominado por mulheres, o ambiente universitário ainda é bem machista (vide os cartazes de festa e hinos de torcida dos jogos) e encara essas violências com naturalidade. Pode observar: quando surge uma história de violência sexual, sempre tem alguém tentando achar uma justificativa para aliviar o agressor e culpar a vítima.

Se você quiser entender melhor como se sentem as mulheres que sofreram essas violências, sugiro ler os depoimentos das alunas da Faculdade de Medicina da USP, que corajosamente decidiram romper o pacto de silêncio.

 “Você tá bem louca!”

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Dentre os fortes depoimentos que li, uma das frases me marcou bastante. “Deixa de ser chata” foi o que dois amigos que tentavam forçar uma menina alcoolizada a praticar sexo com eles falavam enquanto tentavam arrastá-la para dentro de um carro. Chata, louca, histérica, exagerada… Essas são algumas das coisas que a gente ouve quando tenta dizer “eu não tô a fim!” ou quando diz para o cara que ele está forçando a barra ou sendo violento. É a estratégia perfeita para manter essa lei do silêncio.

Jogar a culpa pelas violências que nós sofremos em cima da nossa chatice e loucura é o melhor álibi que um agressor consegue encontrar. Ele insiste, joga com o psicológico, força a barra, finge que ela consentiu, até finalmente usar a força para obrigá-la a fazer alguma coisa. Se alguém o acusar de alguma coisa, é fácil: é só dizer “essa mulher é louca!”.

A verdade é que o ambiente universitário tem ajudado a formar babacas que acham que algumas mulheres são meros objetos sexuais, não-dignas de respeito. Tá na hora de quebrar esse pacto perverso do silêncio.

Texto por Ana Carol Nunes. Comunicadora, amante de esportes, otimista inveterada, fala sozinha na rua e está há 0 dias sem comprar briga no Facebook

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