Maioria Oprimida: documentário evidencia o machismo na sociedade invertendo os papéis

Documentário aborda o sexismo colocando o homem no lugar da mulher

A pesquisa que revelou serem a maioria dos homens brasileiros favoráveis a opinião de que o grande culpado pelos assédios e estupros femininos são comportamento das próprias mulheres deixou muita gente chocada, inclusive eu que vos escrevo.

E foi em uma busca por tentar entender essa visão preconceituosa que me deparei com um documentário da francesa Eléonore Pourriat “Majorité Opprimée” (Maioria Oprimida, em português), lançado em 2010, que soube abordar muito bem o tema do machismo invertendo os papéis de homens e mulheres.

O documentário de 10 minutos bombou depois que a diretora resolveu publicá-lo no Youtube e mostra bem a sociedade sexista e preconceituosa.

O vídeo aborda uma simples troca de papéis entre homens e mulheres. O enredo do curta começa com Pierre que, logo no começo do dia, em um diálogo com a síndica do prédio onde mora, escuta a seguinte frase: “Mas que é isso? Eu deveria estar falando com a sua mulher e não com você”.

vídeo evidencia o machismo na sociedade invertendo os papéis

Enquanto ele leva seu filho para a escolinha, mulheres correm sem camisas na rua, com naturalidade. Tem uma até que mija no meio da rua.

Ele sofre cantadas femininas estimuladas por suas vestes, chegando ao ponto dele ir na delegacia denunciar o assédio. “Ela beliscou meus testículos… Depois colocou meu pênis na boca e mordeu”. As autoridades culpam a vítima pelo ocorrido: “Também, você está provocando com essa bermuda pouco acima do joelho!”

O grande objetivo da autora é colocar os homens no universo das mulheres, vivenciando aquilo que acham normal e natural. Questionada pelo motivo de tal abordagem agressiva, a diretora informou que o intuito da cena foi o de intimidar e, ao mesmo tempo, evidenciar “o complexo da castração”. “O pior medo dos homens. Eu queria não que fosse realista, mas assustador”.

A própria Pourriet vivenciou isso. “Eu era uma mulher. tinha 30 anos. E meu marido não acreditou que eu tinha sido abusada – eu não fui estuprada, mas eu recebia comentários na rua. Muito frequentemente.

Ele disse: ‘Uau. Isso é incrível’. Sua surpresa foi o início da ideia para mim. Às vezes os homens, não é culpa deles, eles não imaginam que as mulheres são agredidas com palavras estranhas a cada dia, com pequenas, leves palavras. Eles não podem imaginar porque não são confrontados com isso”.

Pois é, depois desse vídeo, provavelmente você não verá o machismo com os mesmos olhos. Isso já é um bom começo!

Fonte: Pessegadoro

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