Lições de vida que crianças criadas presas dentro de casa nunca vão aprender

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Talvez a minha geração tenha sido a última de paulistanos que tiveram o prazer de crescer e brincar na rua. Apesar de ter tido um computador e videogames quando era jovem, ambos algo muito novo e não costumava perder muito tempo com eles.

Tive a sorte de, durante a minha adolescência, passar as tardes na rua Antônio José Loureiro ou, como gostamos de chamar, a Travessinha.

Era uma ladeira de paralelepípedos onde moravam mais alguns adolescentes da minha idade com os quais eu aprontei mil e uma confusões.

Ainda não tínhamos iPhones, tablets e notebooks, mas sim pipas, aquela boa e velha bola toda rasgada com os gomos caindo, morteiros, peidos de velha para soltar pela vizinhança e muita, muita imaginação.

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Mas, o que pode parecer simples brincadeiras de adolescentes, na real serviram de aprendizados para vida. Hoje, temos uma geração de crianças e adolescentes que nascem e crescem em um ambiente hermético. Trancados dentro de casa, longe de qualquer confronto ou desafio do mundo real.

A única forma que aprendem a interagir uns com os outros fora da escola é por trás das telas de seus computadores e celulares. Parece que essa juventude nunca conheceu o tato.

Poucos tiveram a sensação de ir no mundo lá fora tocar e experimentar as coisas antes de se tornarem adultos.

Pensando neste triste fato, separei uma lista de coisas que crianças que são criadas presas dentro de casa dificilmente vão aprender na prática. Se liga:

Respeito é bom e mantém os dentes no lugar

Vira e mexe pinta alguém nos comentários do site – ou em nosso Facebook – que xinga a gente ou fala alguma merda, de boa. Sem a menor preocupação de que algo possa acontecer. Eu duvido que eles fariam o mesmo se estivéssemos cara a cara.

É muito fácil xingar alguém na internet. Você vai lá deixar um comentário e se sente o senhor Fodão. Mas na rua não era bem assim.

Você tinha que ficar muito esperto antes de tirar onda com alguém porque essa pessoa podia simplesmente te dar uma surra e você ia voltar para casa com um olho roxo e uma desculpa para contar.

Dependendo quem era seu pai então, era capaz de tomar outra surra por ter brigado na rua. Logo, você aprendia que tinha que se garantir e tomar cuidado com quem mexia. Era uma lição sobre consequências.

Tudo que você faz pode ter uma volta. E, se você não consegue se garantir sozinho, pode levar a pior.

Você aprende o quanto é forte quando se machuca

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Teve três tipos de machucados que marcaram minha infância e adolescência: perder a tampa do dedão jogando bola na rua, ralar os joelhos caindo no asfalto e cortar os dedos empinando pipa.

Mas, como diz o ditado, Deus protege os bêbados e crianças. Sobrevivi a todos eles.

Depois de se machucar, o processo era simples: Você num minuto de beiço, jogava uma água e um merthiolate em cima da ferida, cobria tudo com um band-aid e tava pronto para sair na rua e se ferrar todo de novo.

Agora, imagina uma criança que NUNCA se machucou na vida. A primeira vez que levar um tombo no asfalto vai parecer o fim do mundo.

É se machucando que você aprende o que é dor e para de reclamar por qualquer coisa. Além disso, você aprende que sim, certos machucados doem, mas logo passa. Não adianta ficar chorando pelos cantos.

Tem que saber improvisar e ser cara de pau

Lembro que uma das principais diversões minha e dos meus amigos da rua era ir jogar bola em uma quadra municipal que ficava a alguns quilômetros de casa. O problema é que a disposição para ir, nem sempre era a mesma para voltar.

Depois de jogar bola o dia inteiro, no caminho para casa, sempre tínhamos fome ou sede e quase nenhum dinheiro no bolso. Mas usávamos a cara de pau para pedir água tocando a campainha de alguma casa no caminho, pedíamos fruta no fim da feira, sempre dávamos um jeito.

Isso sem contar a imaginação que fazia que um par de chinelos virasse trave de gol e uma pedra e pedaço de linha conseguissem tirar qualquer pipa do alto de uma casa.

Nada estava entregue fácil nas nossas mãos. A gente tinha que dar um jeito. Simples assim.

Seu pai e sua mãe não vão sempre te proteger

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A primeira coisa que a gente aprende quando começa a andar muito na rua –  ou até com uma galera de condomínio – é que nem sempre dá para contar com um adulto para te ajudar.

Logo, várias vezes, a gente tinha que se virar nos 30 quando o bicho pegava. Ou partindo para briga, ou correndo, ou usando o melhor papo possível para evitar uma confusão.

Como da vez em que um policial pegou a gente pulando o muro de uma casa para pegar um balão. Ou quando uma viatura da CET encontrou vários cones roubados que a gente acumulava para usar de gol na rua. Ou quando eu bati em um menino da rua de cima e fui cercado pelos amigos dele no dia seguinte.

Para todas essa situações – e muitas outras – eu dei meus pulos e sobrevivi. Sem o intermédio de um adulto para me levar pela mão.

Além disso, todo mundo da rua odiava o moleque que, qualquer coisa que acontecesse, ia correr contar para a mãe e para o pai. Se vira sozinho, caralho!

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