Clichê romântico – sua vida a dois pode ter um final feliz

Clichê romântico

Basta qualquer manifestação de felicidade sobre o relacionamento surgir que os “especialistas” no assunto começam a dar seus pareceres:  “Ah, no começo é tudo lindo!” “Agora tudo são flores” “Relaxa, tá só no começo”. E as frases se multiplicam.

Passados os três meses iniciais – o famoso período de experiência –  os pensamentos de amigos e parentes se focam na questão da durabilidade da coisa em si. As pessoas ao redor já começam a ver o par como um casal, mas ainda assim se questionam: vai vingar?

Mal o convívio se torna mais intenso (com as devidas apresentações familiares já feitas) e o os amigos (sim, aqueles especialistas) já antecipam para a crise dos sete meses: “Três meses e ainda não brigaram? espera só a crise dos sete meses chegar!” “Ainda não deu nem tempo da sogra tomar birra!” “Espera só a primeira viagem de casal.” E os comentários nunca param.

Pouco antes de completarem o primeiro ano, muitas situações já foram vividas. Aí é hora de escutar as reclamações. Geralmente a parte masculina do relacionamento é a que mais sofre. O amigo reclama que o cara não comparece mais em todos os encontros – ou em nenhum, a amiga passa a não ter mais o “amigo-confidente-conselheiro” disponível todas as horas e outros, até mesmo sem te ver, já se arriscam a dizer que você deve ter dado uma “engordadinha”, afinal , programa de casal é “sair para comer”.

Clichê romântico 2

E tem aquela clássica que não pode faltar: “você só tem tempo para sua namorada agora”. Ah, a vida e a mania das pessoas de sempre se preocuparem mais com o que acontece com os outros do que consigo mesmo.

O casal vai bem, obrigado! E são tantos os conselhos e críticas ouvidos ao longo da relação, que parecem viver algo diferente, tamanho o talento das pessoas em deturpar o significado do que uma relação deve ser e representar. Daí, já consolidado o casal, o namoro começa a intrigar os espectadores que apostavam na crise, sabe por quê? Porque eles simplesmente se dão bem.

E esse sucesso é porque eles vivem em função do bem-estar mútuo e se preocupam com a felicidade de ambos. Porque não vivem tentando se boicotar com competições bobas para ver quem manda ou quem tem a última palavra. E o melhor: porque no meio disso tudo tem um homem do tipo sentimental.

Sim, eles ainda existem! E são do tipo que não deixam a incumbência de lembrar datas comemorativas apenas para a mulher. Até porque sabem que isso não é “coisa de mulher”, isso é coisa de gente que entende a importância da relação e gosta de ver o relacionamento evoluindo.

Essa espécie rara consegue lembrar até as 3 principais datas na linha do tempo de qualquer relacionamento: a do primeiro beijo, a data do pedido oficial de namoro e ainda o da primeira noite juntos (ainda que pareça inacreditável o homem também sabe todas essas datas).

Clichê romântico 3

E assim, com dedicação mútua, lá vão os casais que querem fazer os “especialistas em derrotas amorosas” morderem as línguas. Eles fazem programas que agradam as duas partes, cedem para satisfazer o outro sem brigas (sem “forçação” de barra e sem jogar nada na cara), “racham” a conta se acharem necessário (mas também não ligam se um ou o outro vai ficar sem pagar em determinado dia, afinal,  o mais importante é a companhia), se permitem sair sozinhos quando o clube é da Luluzinha ou do Bolinha.

Afinal, eles têm o que é mais difícil nos casais de hoje: con-fi-an-ça (assim mesmo, para ficar mais fácil de entender). Eles sabem que se bastam. Convivem bem com suas respectivas sogras, sogros e cunhados porque se sentem em casa em qualquer uma das casas. Trocam declarações de amor por olhares, gestos e carinhos.

Abrem o maior sorriso ao se verem e fazem questão que isso aconteça todos os dias. Os olhos brilham e o coração dispara. Eles se amam e são apaixonados ao mesmo tempo. E tudo isso é muito lindo não porque é só o começo, mas porque é apenas o primeiro ano de uma vida onde tudo são flores, todos os dias. Basta querer.

Acha que isso tudo não existe? existe. Existe simplesmente porque não se deixa ser apenas um clichê romântico fadado ao fim imposto por tantos especialistas.
>> Texto colaborativo de Gabriel Couto. Formado em Marketing, redator publicitário e escritor. Questionador de tudo, inclusive de si mesmo. Questiona até a descrição acima. Escreve para o blog Papo Sem Curva

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