As pornochanchadas que fizeram parte da nossa adolescência

Quem nasceu na década de 80 sabe bem o que era crescer sem as facilidades da internet.  E, para ter acesso aos filmes de conteúdo adulto, ou era através das VHS e CD’s emprestados por amigos, ou tínhamos que recorrer às programações noturnas do Canal Bandeirantes, com os filmes nacionais que exploravam o erotismo e comédia: as pornochanchadas.

pornochanchadas e filmes eróticos nacionais

A emissora transmitiu, de 1990 até 2006, produções que contavam sempre de uma maneira bem humorada,  histórias picantes de sexo e traições, com nudez de  atrizes nacionais, naquilo que ficou conhecido como erotismo softcore.

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As pornochanchadas, responsáveis por boa parte da bilheteria dos cinemas dos anos 70/80, ainda popularizaram atores e atrizes, como Xuxa, David Cardoso, Nicole Puzzi, Aldine Muller, Sônia Braga, Nádia Lippi, Antonio Fagundes, Reginaldo Faria e Vera Fischer.

No mês em que o filme “Coisas Eróticas” completa 30 anos de seu lançamento e, com ele, o Brasil ganhava seu primeiro filme de sexo explícito, decidi relembrar 11 clássicos nacionais de cunho erótico (e com muito humor) ou das pornochanchadas que formaram parte nossa adolescência. Confira a lista e diga qual foi o mais marcante.

Coisas Eróticas
Filme Coisas Eróticas
Produzido na Boca do Lixo, o longa de destacou das outras pornochanchadas pela ousadia das cenas de sexo explícito. O filme já começa com uma cena de masturbação do ator Oásis Minniti. Além desse quadro, outros dois acontecem de uma maneira nunca antes vista na história do cinema brasileiro, com palavrões, sadomasoquismo homossexualismo e sexo grupal.

Na época do lançamento, em 1982, o diretor Raffaele Rossi enganou a censura que tinha pedido para tirar o segundo quadro inteiro, o mais polêmico de todos. Raffaele interpretou quadro por fotograma e retirou apenas um fotograma (o que equivale a apenas 1 segundo). Reenviado à censura, o filme foi liberado (e provavelmente os censores não reviram o filme). O longa foi visto por mais de 4,7 milhões de pessoas e ocupa a 13ª maior bilheteria do país. O legal desse filme é ver os urros e gemidos grossos do ator Marthus Mathias, que ficou famoso no país dublando a voz original de Fred Flintstone. A história do filme ganhou até um livro, lançado há pouco tempo.

Dama da lotação

A quarta maior bilheteria da história do cinema brasileiro (6,5 milhões) foi uma baseada em uma adaptação da obra de Nelson Rodrigues. No elenco, a bela Sônia Braga interpreta uma mulher que rejeita o marido e começa a fazer sexo com homens que conhece nas lotações. Vendo a cena você consegue entender porque a atriz transformou-se em um símbolo sexual por tanto tempo.

Amor estranho amor

Uma das pornochanchadas mais inverossímil possível. Xuxa Meneghel, então com 16 anos de idade, participa das filmagens e seduz um rapaz de 12 anos, interpretado pelo ator Marcelo Ribeiro. E quem tenta interromper a cena é Vera Fischer que, além de ser conhecida pelos filmes do gênero, interpretava a dona da “casa de toleragem”, a qual Xuxa trabalhava.

Xuxa, através de liminar judicial, mandou recolher todas as fitas originais de todo o país. Porém, muitas cópias piratas continuaram circulando, fazendo do filme uma verdadeira lenda. É possível assistir o filme completo no youtube.

Dona flor e seus dois maridos

Dona Flor (Sônia Braga) é uma professora de culinária casada com o malandro Vadinho (José Wilker), que só quer saber de farras e jogatina nas boates da cidade. Este morre e deixa Dona Flor viúva. Logo ela se casa de novo, com o recatado e pacífico farmacêutico da cidade (Mauro Mendonça). A saudades do antigo marido, que era um ótimo amante, acaba fazendo com que ele retorne em espírito e isso deixa a mulher em dúvida ao ver os dois maridos dividindo o seu leito.

Apesar de não estar na lista das pornochanchadas, o filme erótico, baseado na história de Jorge Amado ficou por 34 anos como o longa mais visto de todo o cinema nacional, com mais de 10 milhões de espectadores. Somente ‘Tropa de Elite 2′ conseguiu bater seu recorde, em 2010.

Histórias que nossas babas não contavam

Uma paródia do clássico conto infantil da Branca de Neve e os Sete Anões, a diferença aqui é que, no filme brasileiro, a princesa não vê problema nenhum em retribuir a hospitalidade dos anões com favores sexuais. Vale ver o filme só pelo Costinha no elenco.

Oh Rebuceteio

O filme conta, sem pudores, a história de um grupo de jovens atores que farão de tudo para conquistar um lugar em uma peça de teatro. O título chamativo faz a mistura da palavra “Rebu” (uma grande confusão) com um dos nomes chulos do órgão sexual feminino. Um dos primeiros filmes nacionais a ter sexo explícito, onde grande parte das cenas era feitas sem simulação.

Uma das pornochanchadas mais fortes, como a qual o protagonista aparece incitando o espectador a gozar junto com os atores (e olhando para a câmera enfaticamente).

Bem Dotado, o Homem de Itu

Caipira ingênuo da cidade de Itu é levado a São Paulo para trabalhar em casa de alta classe. Por causa da grande proporções de seu pênis, o rapaz se transformou em um homem-objeto para as mulheres ricas. No filme, Nuno Leal Maia interpreta o protagonista, um dos maiores personagens da história das pornochanchadas.

Os Bons Tempos Voltaram: Vamos Gozar Outra Vez

O filme é dividido em dois episódios. No primeiro, Soninha (Carla Camurati) finge estar doente para não viajar com uma família e acaba perdendo a virgindade com o namorado Paulo César Grande (para simular a doença e deixar o termômetro quente, ela coloca-o dentro da calcinha). No elenco, ainda estão Pedro Cardoso e Alexandre Frota.

No segundo episódio, Edinho (Marcos Frota) organiza uma festa de arromba e tira o sossego de um coronel na cadeira de rodas, que exalta a tomada de poder pelo Exército, em 1964. O coronel esbraveja o tempo todo contra a festa (uma festa na piscina com todos nus), especialmente contra a sobrinha, a bela Roberta, que é a primeira a tirar a roupa. No fundo, o coronel guarda uma tara pela sobrinha.

Senta no Meu Que Eu Entro na Tua

Uma comédia de sexo explícito dividido em dois episódios. No primeiro, mulher descobre que sua vagina fala e tem suas próprias opiniões e desejos. No segundo, homem duplica sua capacidade sexual depois que nasce um pênis em sua cabeça. Vale a pena conferir o trecho do filme em que o patrão pede, sem nenhuma vergonha, um suco de buceta para a empregada (fique tranquilo que o vídeo não conta com cenas fortes).

Os Sete Gatinhos

Outro filme baseado na obra de Nelson Rodrigues, o longa contam a história de Silene, a caçula das cinco filhas de Aracy e Seu Noronha (Lima Duarte). Ela é a mais mimada de todas e, por ser a única “pura”, tem o direito a uma boa educação em um colégio interno. Mas logo a vida deles toma um rumo diferente, quando a garota é acusada, no colégio, de matar a pauladas uma gata grávida.

As quatro filhas mais velhas se prostituem para garantir a castidade e a boa educação de Silene. A partir do incidente ocorrido na escola, descobre-se a jovem não é pura como todos pensam. O longa vale pelas atuações de Antônio Fagundes, Ary Fontoura e Regina Casé – esta última faz a cena sensacional acima em foge em volta de uma piscina gritando para um deputado velho que tentava assediá-la. “Você não vai me comer, você não vai me comer!”.

Dezenove Mulheres e Um Homem

O enredo do filme conta sobre dezenove universitárias e uma professora que alugam um ônibus para uma excursão ao Paraguai. A viagem é interrompida por cinco criminosos, fugidos da cadeia que confinam o grupo numa fazenda do pantanal mato-grossense, após matar os empregados. O motorista Rubens é a única esperança para salvá-las. Enredo simples, se não fosse pela participação de David Cardoso, ator considerado o Rei da Pornochanchada. Neste filme o maior galã do gênero atua e ainda é o diretor do filme.

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Autor Leonardo Filomeno

Jornalista, fã de esportes, apreciador de cerveja (e destilados), e um camarada que vive dando pitacos na vida alheia - no G+