A última Playboy da minha vida

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“No meu tempo, Playboy cumpria prioritariamente duas funções: tirava a roupa de mulheres improváveis e mostrava, de quando em quando, o valor das balzaquianas” (Sérgio Xavier Filho, diretor de redação da Playboy)

(Atualização 19/11) A Editora Abril confirmou que deixará de publicar, a partir de 2016, a versão brasileira da revista Playboy.

Cresci em uma época em que a molecada jogava futebol descalço na rua, merthiolate ardia e Playboy era uma revista que tinha o mérito de despir aquelas belas mulheres que sempre desejávamos ver e que considerávamos inatingíveis por sua fama.

Você até pode me chamar de saudosista, mas a revista mensal, até então, número um do público masculino era mais esperada que a convocação da seleção para a Copa do Mundo. Entrar no hall das eleitas para rechear o ensaio principal era motivo de orgulho, um movimento transgressor.

A publicação era a iniciação sexual do garoto e, talvez, o primeiro contato que ele tivesse com o sexo oposto. Era tão foda que se transformou em herança passada de pai para filho.

Sempre comprei as edições de aniversário e os ensaios especiais. Isso até os idos de 2010. De lá para cá, muita coisa mudou. As mulheres que recheiam a revista são desinteressantes desconhecidas e a minha vontade de comprar a publicação extinguiu-se por completo.

Playboy: edição de aniversário de 40 anos

playboy 40 anos

Ainda assim, decidi dar mais uma chance para a publicação e comprar a edição de aniversário de 40 anos. Afinal, quem sabe na data especial a revista preocupou-se em entregar algo exclusivo para seu público. Mas, o resultado foi um fraco compilado de capas que fizeram sucesso no passado e a minha certeza de que esta foi a última vez que eu compro uma Playboy.

Antes que você me chame de ranzinza e ultrapassado, vou explicar aqui as minhas razões. Primeiro, quero dar voz a uma definição da revista feita pelo próprio diretor de redação Sérgio Xavier Filho para justificar os anúncios publicitários na publicação.

“As melhores mulheres, as melhores bebidas, as melhores viagens, as melhores roupas. Excelência em tudo. Esse é o compromisso de PLAYBOY há 40 anos. Tão simples quanto isso. Para fazer a melhor revista masculina do Brasil, é preciso também jornalismo de qualidade. Pense nas melhores entrevistas dos principais personagens brasileiros da história e provavelmente a resposta será PLAYBOY. Lembre das mulheres mais desejadas e, por certo, elas já apareceram da maneira mais descontraída possível aqui. Fazer uma grande revista masculina parece fácil. Difícil é fazer.”

Desinteressantes Desconhecidas

Montagem

MC Tati Zaqui, Janaina Santucci, Ivi Pizzott, Veridiana Freitas, Tatiane Cravinho, Nuelle Alves, Taiana Camargo, Lola Melnick, Marcela Pignatari, Fernanda Lacerda (Mendigata), Natália Inoue, Jéssika Alves (só para ficar nas 12 últimas edições). Quantas dessas mulheres que foram capa da publicação no último ano você realmente admira e está nas rodas de discussões masculinas como famosas belas e desejáveis?

Talvez 2 e não bem por serem tão famosas assim, mas por aparecerem na mídia como gostosas e rapidamente tiraram a roupa.

Como vimos, selecionar as melhores mulheres não é tarefa fácil e a Playboy, nos últimos anos, não tem conseguido fazer uma grande revista masculina como mesmo se rotula. Quer um exemplo do que ela já  levou para a Capa em suas edições de aniversário:

Luma de Oliveira (84), Adriana Galisteu (95), Maité Proença (96), Marisa Orth (97), Deborah Secco (99 e 2002), Mel Lisboa (2004), Grazi Massafera (2005), Flávia Alessandra (2006), Carol Castro (2008) e Cleo Pires (2010).

O que você espera para os 40 anos de uma revista masculina de referência?

Divulgação

(1)Uma mulher foda, que faça valer a história, quem sabe uma quarentona que mostre a beleza de uma mulher mais experiente;
(2) Um ensaio com uma mulher sem incisões cirúrgicas para mostrar o corpo belo e natural, rememorando os velhos tempos;
(3) Uma mulher que fuja dos padrões estéticos estabelecidos, com todas suas formas e curvas, para realmente ‘quebrar a internet’.

A escolha foi a conservadora ‘seleção’ com 40 mulheres que já estiveram na publicação.

Aí você pensa, mas são fotos inéditas das garotas que trouxeram mais audiência e repercussão para a revista? Não, por motivos contratuais, só as que liberaram suas publicações. Temos então ‘ilustres desconhecidas’ como: Magda Cotrofe, Vanusa Spindler, Bo Derek e Ana Lima na lista. Das famosas, fotos simples e sem ousadia que rechearam edições anteriores.

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Desculpa, se for para conferir uma seleção com os melhores ensaios da Playboy, posso ficar aqui na web e indicar vários blogs que façam isso de uma maneira muito melhor do que vocês.

Eu sei, que já faz um tempo que a revista masculina tinha perdido o seu viço e não representava o homem. A crise financeira e falta de investimentos deixou a publicação conservadora e preguiçosa.

Mais do mesmo

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Ao invés de atrizes belas e famosas, uma invasão de BBBs, assistentes de palco ou mulheres frutas. Não que elas não tenham sua beleza, mas, na minha visão de homem que cresceu com a revista, para estampar a capa precisava ser uma mulher especial, ter algo a mais. Hoje, vejo só mulheres comuns.

Isso sem falar do resto do recheio da revista. No passado, ficaram as ótimas entrevistas de Pelé, Xuxa, Lula, Fidel Castro, Rolling Stones, Tim Maia, Sharon Stone, Bill Gates, Clint Eastwood, Sebastião Salgado, Jack Nicholson e José Padilha. As atuais apostavam em Amauri Jr., Reinado Azevedo, Rafinha Bastos (existe limite para o humor?).

A última Playboy da minha vida 3

Com nomes de pouco apelo, a única forma de chamar atenção era abusando das chamadas ou criando aspas inexistentes, como no caso da Sandy e da polêmica do “é possível ter prazer no sexo anal”.

A Playboy de outros tempos era item de colecionador, passado com orgulho de pai para filho e escondido às setes chaves das mães, irmãs e namoradas.

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A Playboy participou da revolução sexual, ditou tendências, mostrou-nos os pelos pubianos femininos em excesso (vide Claudia Ohana e Vera Fisher) e foi, ao longo das edições, reduzindo-os até encantar-nos com o zero total (lembra-se da Karina Bacchi?).

Não sei se a revista vai sobreviver a onda de cortes e continue a ser vendida nas bancas. A minha única decepção é saber que algo que acompanhou a minha adolescência e a de muitos caras, ajudou a formar caráter, hoje não representa homem nenhum.

Por isso, digo: Descanse em paz, Playboy.

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