A música Trepadeira do Emicida e a intolerância das feministas

A música do Emicida e a intolerância das feministas

A música ‘Trepadeira‘, canção do novo alvo do Emicida (O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui), foi alvo de protestos feministas. A grande polêmica levantada ocorreu sobre a suposta crítica que o rapper paulistano fazia às mulheres que gostavam de sexo e a canção que sugeria a agressão física só pelo fato dela ter vontade em praticá-lo em demasia.

Desculpe ser tão reducionista, mas foi exatamente dessa forma que as críticas à música de Emicida levantaram suas bandeiras e queimaram na fogueira o artista como se fosse à época da inquisição. Não pesou todo o passado do cantor, suas lutas, ou mesmo analisar a nota que ele emitiu tentando justificar a errônea interpretação alheia. Era mais um ‘filho da puta’ machista a proferir um discurso opressor contra a liberdade da mulher.

Emicida não foi o primeiro e nem o único a ser mal interpretado pelas feministas. Muitos outros, incluindo músicos e artistas, já passaram por isso.

Abaixo, tecerei alguns argumentos que tentam defender um artista que tive o prazer de conhecer há 3 anos, de origem humilde, sempre engajado pelas causas das minorias, tentando quebrar estereótipos no rap e o orgulho de muita gente. Mas que agora virou alvo de ataques por ter sido mal interpretado. Dê um play na música e confira!

Saiba diferenciar uma ficção de uma realidade

A música ‘Vacilão‘, assim como a música ‘Trepadeira’ (que o próprio diz ser a resposta da primeira) estão em um contexto de ficção, uma crônica de costumes. Não entenda como um discurso que o músico apoia como correto ou uma bandeira que levanta.

Acho que os autores e músicos têm direito a trabalhar com ficção também ou a crônica de costumes. Seja para chocar, denunciar ou mesmo refletir. Nesse caso, a canção é uma expressão de rancor de quem foi traído por alguém que valorizava tanto – sentimento que até os mais liberais externariam. Uma música nem sempre é um discurso autobiográfico. Às vezes, ela quer passar só entretenimento, assim como nos filmes “Tropa de Elite” ou “Cidade de Deus”, sem que seja tachado como uma mensagem fascista ou machista.

Se você acha que ele quis ser pejorativo, machista e outras coisas mais, pare para ouvir algumas canções consagradas da MPB, como Geni e o Zepelim (“Joga bosta na Geni. Ela é feita pra apanhar. Ela é boa de cuspir. Ela dá pra qualquer um…”), Mulheres de Atenas (“Elas não têm gosto ou vontade. Nem defeito nem qualidade. Têm medo apenas…) e Esse Cara (“Ele é o homem. Eu sou apenas uma mulher…”), você criticaria com a mesma veemência os autores destas canções ou procuraria primeiro entender o contexto?

A Mulher trepadeira de Emicida
A música do Emicida e a intolerância das feministas

Talvez todo o alvoroço tenha surgido por causa do nome que ele usou para a música. Ele usa um vasto vocabulário botânico na canção, citando diversas flores em sua música para elogiar aquela que era sua amada (margarida, rosa, grampola, bromélia, lírio, orquídea, samambaia, violeta, flor de laranjeira, tulipa, magnólia, azaleia, camélias, ipê, girassol, amor perfeito, trevo de quatro folhas, jasmim, vitória regia).

A história inicia com um homem apaixonado que faz trocadilhos com vários nomes de plantas.  No meio da música, descobre a traição e o abandono quando sai para trabalhar e ai, o personagem, tomado de raiva, profere nomes de flores ou plantas de modo a desmerecer a amada (trepadeira, trevo de três flores, maria sem vergonha). É claro que as pessoas críticas à música não levaram em conta as palavras de elogio e o que ficou marcado foi o título da música e toda a ambiguidade do termo para aquecer o ódio contra o artista.

Emicida critica as mulheres que gostam de sexo
A música do Emicida e a intolerância das feministas

“Minha tulipa?
Fama dela na favela enquanto eu dava uma ripa…”
“Quem não fica bravo, dando sol e água
E vendo brotar erva daninha…”

Antes que me venha acusar de machista por não apoiar a liberdade sexual da mulher, preste bastante atenção na música (eu li, reli, ouvi um dia inteiro, antes de escrever isso aqui).

Em nenhum momento Emicida de põe contra a liberdade sexual das mulheres. Na canção, ele não diz que o fato dela ter se relacionado com outros no passado era um problema, mas a CAUSA DA REVOLTA do personagem foi dela ter feito isso enquanto estavam juntos. Não precisa ser machista para se revoltar com uma traição e foi isso que a música apontou. Você, mulher, como reagiria se descobrisse que seu parceiro te traiu? Agradeceria, mandaria flores, pediria para participar da ‘brincadeira”? Acho que não.

Vale salientar que o argumento de que a música critica as mulheres que gostam de transar não se sustenta. Emicida explica em sua nota que. “Não esperava levantar um policiamento sobre como homens ou mulheres conduzem suas vidas sexuais. Por gostar de sexo, é vital que as garotas também gostem e se sintam livres para externar isso quando bem entenderem, fazendo o que bem entendem com seus corpos”.

O cantor que incita a agressão contra as mulheres
A música do Emicida e a intolerância das feministas

“Tu vem, meu coração parte
e grita assim, arrasa biscate
Merece era uma surra de espada-de-são-jorge
um chá de comigo-ninguém-pode…”

Fora de contexto as coisas podem tomar um outro rumo. No caso acima, uma frase do personagem com dor de cotovelo que acabou de descobrir a traição é de que ‘ela mereceria uma surra de espada-de-são-jorge’ pelo ocorrido. Entenda mais uma vez que Emicida não quer puní-la por gostar de sexo, que o trecho é um momento de raiva e desabafo que o personagem faz para um amigo quando descobre a infidelidade. Se você leva essa frase a ferro e fogo, deveria criticar também aquelas cantigas como ‘O Cravo e a Rosa’, que cantava em toda sua infância.

Finalizando

Por último, antes de sair por aí acusando qualquer pessoa, pare para entender o que está acontecendo, procure ver todos os lados e não sirva de massa de manobra de pseudo-intelectuais que procuram nos textos polêmicos a audiência, visualizações e a relevância na web.

Confira a letra completa de Trepadeira
A música do Emicida e a intolerância das feministas

Veja a letra de Trepadeira:
Margarida era rosa, bela, cheirosa
Grampola, tipo casa das camélias, gostosa
Bromélia, toda prosa
A me enlouquecer, bela, tipo um ipê frondosa
É um lírio, causa delírios, mire-a
Vício é vigiar, chique como orquídeas
Cabelos como samambaia em xaxim, flor
Perto dela as outras são capim, pô
Girassol, violeta, beleza violenta
Passou aqui
Como se o mundo gritasse arrasa, bi!
Flor de laranjeira, primavera inteira são
Flores e mais flores, todas as cores da feira
Irmão, essa nega é trepadeira
Minha tulipa?
Fama dela na favela enquanto eu dava uma ripa
Tru, azeda o caruru
E os mano me falava que essa mina dava mais do que chuchu

Você era o cravo, ela era a rosa
E cá entre nós, gatinha
Quem não fica bravo, dando sol e água
E vendo brotar erva daninha
Chamei de banquete, era fim de feira
Estendi tapete, mas ela é rueira
Dei todo amor, tratei como flor
Mas no fim era uma trepadeira

Bem me quer, mal me quer, ó
Nosso amor perfeito amargou tipo um jiló
Maria sem vergonha
Eu burro chamei de trevo de quatro folhas
O love enraizou, fundo
mas você não dá, ou melhor dá, mas pra todo mundo
Quis te ver num jasmim firmeza, altar preza
Branquinho, olha, magnólia, beleza
Vitória-régia, brincos de princesa
Azaleia pura, Madre Tereza
Mas não, cê me quis, salgueiro chorão
Costela de Adão, raspou o cabelo de Sansão
Tu vem, meu coração parte
e grita assim, arrasa biscate
Merece era uma surra de espada-de-são-jorge
um chá de comigo-ninguém-pode

Você era o cravo, ela era a rosa
E cá entre nós, gatinha
Quem não fica bravo, dando sol e água
E vendo brotar erva daninha
Chamei de banquete, era fim de feira
Estendi tapete, mas ela é rueira
Dei todo amor, tratei como flor
Mas no fim era uma trepadeira

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