3ª temporada de House of Cards é uma tragédia Shakespeariana moderna

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Cuidado. Este texto pode conter spoilers moderados da 3ª temporada de House of Cards.

“Ricardo III”, “Rei Lear”, “Macbeth”, “Henrique V”… Mais do que histórias de amor, William Shakespeare foi um especialista em discutir as relações do homem com o poder.

+ 7,5 preciosas lições com House of Cards

Muitas das histórias falam como este pode corromper o caráter do mais justo dos homens ou até mesmo ser um fardo maior do que ele pode aguentar.

Um bom exemplo disso é Macbeth, que mostra a história de um homem que, por influência de sua mulher, vai matando seus adversários até se tornar rei. Porém, ao chegar ao poder, tem que lidar com a revolta de seu povo e com a decadência de sua esposa que enlouquece depois de uma crise de consciência.

A mais nova temporada de House of Cards tem todos elementos de uma tragédia Shakespeariana. Só que com um tempero da lógica da política moderna.

O homem mais poderoso do mundo

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Depois de 26 episódios de artimanhas por trás dos bastidores, vemos o que acontece quando Frank Underwood chega ao poder e aos holofotes. No cargo de homem mais poderoso do mundo, o político deve lidar com uma crise de popularidade enquanto tenta manter boas relações com o presidente russo e satisfazer as ambições de sua esposa Claire.

Durante a caminhada de Frank para o poder, a sua capacidade de contornar as situações nunca esteve em cheque. O controle quase sempre esteve nas mãos do anti-herói interpretado por Kevin Spacey, quase como um jogador de xadrez que prevê as consequências dos movimentos de suas peças. Mas desta vez, o tabuleiro tem tantas variáveis que nem Underwood pode controlar.

O tema agora é a falta de controle. Se antes um erro estratégico podia causar apenas o fim de sua carreira política, neste novo cenário, um erro de Frank pode causar uma crise nos Estados Unidos ou até mesmo uma crise em escala global.

É uma temporada sobre tensão, tanto dentro, como fora da Casa Branca. O peso do poder cai não só sobre as costas de Frank, mas também nas de sua esposa Claire.

A personagem tem um paralelo muito bom com Lady Macbeth. Depois de mostrar uma ânsia em colocar seu marido no poder, a mulher começa a sofrer uma crise de consciência ao notar a quantidade de sangue que tem nas mãos.

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Mas a presidência cobra o preço de Frank Underwood. Com a rotina corrida, falta tempo para Frank lidar com a crise em seu matrimônio e até mesmo para as tradicionais conversas com o público.

Em menor quantidade, os divertidos diálogos de Kevin Spacey que quebram a quarta parede fazem muita falta, mas provavelmente não fariam muito sentido na situação de risco em que o personagem se encontra. Aliás, que personagem, meu amigo.

Em séries como “Breaking Bad”, “Mad men” e “Sopranos” sabemos que seus protagonistas não são flor que se cheirem, mas, no fim do dia, eles têm uma certa “bondade” em seus atos (pelo menos tentam justificar os meios pelo fim). Frank Underwood é um político tão inescrupuloso que chega ao ponto de negar Jesus Cristo para conseguir o que quer.

Talvez o maior mérito dos criadores de House of Cards é fazer com que nós torçamos por esse personagem que personifica a maldade e tudo que há de ruim na política, e fiquemos contra todos aqueles que, tecnicamente, são os bonzinhos da história.

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Nos quesitos técnicos, “House of Cards” mantém a excelência de sempre. Fotografia, enquadramentos e escolhas feitas pela direção, mostram como o formato on-demand e a TV podem tranquilamente fazer frente ao cinema.

Algumas escolhas estéticas também dão o tom certo para a trama. Como o uso das distâncias e das portas fechadas nesta temporada.

Repare como em diversos momentos, mesmo estando um ao lado do outro, a câmera capta um ângulo que mostra como Frank e Claire estão afastados. Um metáfora para o estado emocional dos personagens.

A história também é mostrada através de portas. O casal que antes compartilhava um cigarro juntos está cada vez mais separado por portas e paredes. E são muitas as vezes onde um fechar de portas marca mais um passo para a crise entre os dois.

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Outro destaque, são os paralelos com a nossa realidade. Se na 2º temporada vimos um pouco das relações norte-americanas com a China, nesta o foco é a Rússia. O personagem de Petrov é uma personificação de Putin e o modo como governa.

Talvez o ponto mais baixo seja a falta de um arco maior como aconteceu na segunda temporada da série. A terceira temporada termina quase em anticlímax, enquanto a sua antecessora, terminava com o marcante bater na mesa de presidente de Frank Underwood.

Mesmo não atingindo um ápice, a terceira temporada de House of Cards continua um trabalho maduro e conciso sobre um dos personagens que promete ficar marcado para a história da TV norte-americana. E, ao que tudo indica, ter um final tão cruel quanto a de uma tragédia Shakespeariana.

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